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Publicado em: 8/8/2012 32h0

Quais dentes devemos extrair?

Em sua segunda coluna para o INPN, Marco Bianchini fala sobre dentes condenados.

Ainda insistindo no tema da semana passada, que me rendeu vários e-mails de colegas elogiando a nossa postura de combater as exodontias desenfreadas, gostaria de aprofundar este debate, analisando quais dentes devemos realmente extrair durante um tratamento odontológico reabilitador.

Não existe uma regra simplificada ou um protocolo direto que nos dê uma "receita de bolo" de quais dentes estão invariavelmente com extração indicada. Salvo os casos mais óbvios com fraturas ou cáries extensas, dentes abalados periodontalmente podem receber os mais variados prognósticos de diferentes profissionais. Isto me traz a lembrança de um episódio contado pelo meu chefe e colega, o professor Ricardo Magini. A década era de 1980 e os implantes ainda estavam engatinhando no Brasil. O professor Magini cursava mestrado em Bauru e estava atendendo na clínica com alguns colegas. O nosso catedrático professor Euloir Passanezi era o responsável por aquela clínica e pediu a um aluno que atendesse a um paciente seu, pois teria de se ausentar e só retornaria no dia seguinte. Esse aluno, colega do Magini, avalia o dente 46 com mobilidade e resolve extraí-lo. No dia seguinte, o professor Euloir pergunta: "Você atendeu bem o meu paciente? E o dente 46 como estava?" O aluno responde: "Eu extraí o dente, professor". "Extraiu?", indagou o catedrático. "Puxa vida, eu estava mantendo este dente há 25 anos e há um mês ele estava bem...". Dá para imaginar o desfecho dessa história.

Assim como no caso contado acima, muitos dentes reagem bem à terapêutica periodontal, outros nem tanto. Além disso, dependendo da especialidade de cada dentista, os planos de tratamento são modificados. Existe uma tendência natural do profissional em querer resolver a situação agindo mais de acordo com a sua especialidade, pois é a que ele mais se identifica.

Nesse conflito de interesses quem sofre é o pobre elemento dental indefeso, sujeito a todo tipo de intervenção, muitas vezes desnecessária. Eu mesmo tenho este problema, pois minha esposa, que é ortodontista, quer resolver tudo com orto, mantendo a maioria dos dentes. Eu, por outro lado, quero resolver tudo com implantes, fazendo muitas extrações que ela não faria. Na verdade, a velha história de que devemos fazer um planejamento integrado, envolvendo todas as áreas da Odontologia, para que obtenhamos sucesso é mais pura das verdades.

Desta forma, condenar dentes não é uma tarefa fácil. Na dúvida, devemos sempre investir no dente. É mais barato, mais simples e mais saudável tanto para o paciente como para a nossa consciência. Quem nunca ouviu aquela fatídica frase dos nossos pacientes: "Doutor, eu tinha dentes bons, mas o meu dentista extraiu tudo. Eu morava no interior e a minha família não tinha dinheiro para pagar um bom tratamento".

Hoje em dia, estamos preparando um futuro no qual esta frase vai mudar um pouco. "Doutor, eu tinha muito dinheiro para pagar um bom tratamento e o meu dentista extraiu todos os meus dentes e colocou próteses sobreimplantes, dizendo que implantes eram melhores".

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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