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Publicado em: 8/30/2012 63h6

O que mudou na oclusão?

Bianchini discute a controvérsia por trás das posições e movimentos mandibulares. Será que a "oclusão ideal" existe?

Após a publicação da coluna em que escrevi sobre bruxismo aqui no INPN, recebi um e-mail interessante de um colega, que me faz voltar ao tema. Veja só a mensagem dele:

"Caro Prof. Marco,

Li um trabalho onde o autor relata: pacientes com perda da DVO (Dimensão Vertical de Oclusão) e da RC (Relação Cêntrica), geralmente, apertam ou rangem seus dentes. Isto devido à força potencializada dos músculos mastigatórios, plano oclusal destruído, sem guia anterior, parada cêntrica etc. Quando devolvemos ao paciente a DVO e a RC, eliminamos este poder muscular, restabelecemos suas funções oclusais, tais como: guias anteriores, curvas de Spee e de Wilson, e determinantes de oclusão. Segundo o autor, o paciente fica fisiológico, em muitos casos param de apertar e ranger. Qual seu pensamento sobre este artigo?"

Primeiramente, é preciso deixar claro que não se perde RC. Esta posição é reproduzível e independe de dentes para se obtê-la. Basta saber manipular o paciente e levá-lo a esta posição. Talvez, o que o autor quis dizer foi: devolvendo a DVO, e a RC coincidindo com a MIH (Máxima Intercuspidação Habitual), o que denominamos de Relação de Oclusão Cêntrica (RCO), possa ser interessante para se reabilitar um paciente, mas não impede que ele venha a apertar ou ranger os dentes, e muito menos irá controlar o imenso poder dos músculos da mastigação.

Infelizmente, muitos autores insistem em querer relacionar o bruxismo diretamente com as posições e com os movimentos mandibulares. Quando deveriam, também, associá-lo com problemas emocionais e com outras causas. O bruxismo é uma parafunção, ou seja: uma anomalia da função normal. Ele não segue parâmetros lógicos, muito menos padrões pré-estabelecidos. O paciente range os dentes, muitas vezes, como forma de descarregar uma tensão emocional.

Removida a tensão, se essa for a causa, ele vai parar de ranger, pouco importando se a sua DVO ou as guias de desoclusão foram alteradas ou não. Outro aspecto interessante a ser levado em consideração é que, durante os movimentos normais de função (mastigação, fonética, deglutição etc.), os seres humanos não reproduzem as guias de desoclusão. Sendo assim, para que servem elas?

Estou disponibilizando para download um artigo muito interessante que trata de conceitos mais modernos de oclusão. Este paper comenta que, por mais de 100 anos, dentistas e pesquisadores vêm realizando estudos sobre oclusão, na tentativa de se estabelecer um protocolo que seja determinante na nossa ação terapêutica. Mesmo assim, ao longo desses anos, a oclusão continua sendo um assunto controverso, e métodos extremamente complicados de transferência das relações intermaxilares vêm sendo impostos a nós dentistas como sinônimos de sucesso das reabilitações orais.

Por outro lado, muitos artigos têm demonstrado que os métodos mais simples de transferência das relações oclusais dos pacientes para os modelos têm obtido os mesmos resultados que os métodos mais sofisticados. Além disso, os dentistas ao redor do mundo utilizam os mais variados conceitos de oclusão, buscando que os seus pacientes tenham uma "oclusão ideal". Com o passar do tempo, muitos pilares desta oclusão ideal acabam desmoronando, pois os pacientes são dinâmicos e realizam mudanças, alterando todas as guias e contatos que restabelecemos. Mesmo assim, os trabalhos continuam fisiologicamente aceitáveis e não necessitam de nenhuma intervenção.

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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