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Publicado em: 9/21/2012 44h9

Ortodontia prévia aos implantes. Vale a pena?

Bianchini dispara: a briga de egos pelo melhor plano de tratamento não favorece o paciente. Chega de perfeccionismos exagerados e imediatismos negligentes.

Espaços mesiodistais e interoclusais reduzidos dificultam a realização de implantes e das futuras próteses por eles suportadas. Infelizmente, muitos clínicos insistem na colocação de implantes nestas situações, sem antes realizar um tratamento ortodôntico que corrija estas distorções. Por outro lado, os ortodontistas querem a todo custo estabelecer uma "oclusão ideal" baseada no posicionamento padrão dos elementos dentais, que aparece muito mais nos livros do que na vida real de nossos pacientes.

A oclusão ideal descrita por Angle, em 1898, tornou-se a "pedra filosofal" de muitos dentistas até os dias de hoje. Assim, como os alquimistas da idade média acreditavam ter descoberto uma "substância mística" que transformava tudo o que tocava em ouro, também muitos dentistas ainda acreditam que a chave para o sucesso de um tratamento reabilitador é seguir os princípios descritos por Angle no século retrasado. Estes dogmas de uma "oclusão ideal" demoraram 75 anos para serem questionados (veja artigo anexo). Felizmente, após estes questionamentos, os sintomas ganharam mais importância do que a cosmética, e a "oclusão ideal" passa pela função adequada sem sintomatologia patológica, independente da posição mais ou menos estética do arco.

Desta forma, a colocação de implantes também passa pelo restabelecimento de uma suposta "oclusão ideal". Entretanto, esta busca deve se ater a encontrar áreas adequadas, que permitam a colocação de fixações que respeitem os espaços mínimos necessários entre implantes, entre dentes adjacentes e antagonistas (Figuras 1, 2 e 3). Os tecidos periodontais e peri-implantares devem ser respeitados, para que a saúde bucal seja mantida. Espremer implantes um ao lado do outro é alimentar bactérias para uma futura doença peri-implantar. O problema é que os implantodontistas são imediatistas, querem logo colocar os implantes para ganhar dinheiro e não aceitam esperar por um tratamento ortodôntico que permita a colocação dos implantes na posição correta. No outro extremo, estão os ortodontistas, que não liberam o paciente enquanto este não tenha uma "chave de oclusão" adequada. Assim, tratamentos que deveriam apenas abrir espaços e viabilizar a colocação das fixações, eternizam-se na boca dos pacientes na busca da pedra filosofal de Angle, de 1898.

Encontrar o equilíbrio nestas situações é a única saída. O que buscamos é o restabelecimento da estética e função sem patologia. Este resultado tem suas limitações e não necessita de perfeccionismos exagerados nem imediatismos negligentes, que nada acrescentam na saúde de nossos pacientes. A briga de egos pelo melhor plano de tratamento não chega a lugar nenhum, pois a maioria dos pacientes já sabe que a garantia de resultados imutáveis em longo prazo é uma fábula que nem o Pinóquio acreditaria.

Figura 1 - Situação pré-ortodontia. Observar a ausência de espaço adequado para colocação de implantes superiores.
Figura 1 - Situação pré-ortodontia. Observar a ausência de espaço adequado para colocação de implantes superiores.

Figura 2 - Situação pós-ortodontia, agora com espaços que permitem a colocação dos implantes.
Figura 2 - Situação pós-ortodontia, agora com espaços que permitem a colocação dos implantes.

Figura 3 - Implantes colocados respeitando as distâncias biológicas mésio-distais
Figura 3 - Implantes colocados respeitando as distâncias biológicas mésio-distais.

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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