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Publicado em: 10/4/2012 33h8

Você sonda os seus implantes nas consultas de manutenção?

Manter os implantes com saúde em longo prazo é o verdadeiro desafio do dentista moderno.

Os implantes são chamados de "a terceira dentição", devido ao imenso sucesso desta terapia na reabilitação de edêntulos totais, parciais e unitários. Ao longo das últimas colunas eu venho analisando aspectos delicados desta nossa especialidade, fazendo algumas críticas a alguns procedimentos e condutas dos dentistas que utilizam implantes em sua prática clínica diária. Contudo, não podemos deixar de reconhecer que a Implantodontia é um marco na Odontologia.

É quase uma unanimidade dizer que a terapia com implantes é melhor do que qualquer outra solução com prótese fixa ou removível que tenha dentes naturais como pilares. Isto se deve ao fato de os implantes preservarem os dentes naturais remanescentes, que não precisam ser desgastados para apoiarem as futuras próteses. Com essa imensa vantagem preventiva, o tratamento se popularizou e temos hoje milhões de seres humanos com implantes na boca. E que bom que isso aconteceu, pois os implantes, quando realizados com seriedade e responsabilidade, são realmente a melhor solução para os diversos tipos de desdentados.

Como todo e qualquer tratamento odontológico, os implantes também necessitam de manutenção ao longo dos anos. E essa manutenção passa impreterivelmente pela sondagem do sulco peri-implantar. O aumento da profundidade do sulco peri-implantar e o sangramento deste sulco indicam que algo está errado. Se estes sinais clínicos estiverem associados a uma perda óssea, estaremos diante de uma doença peri-implantar (peri-implantite). Assim como na Periodontia, a sonda milimetrada é um instrumento imprescindível na vida de qualquer clínico que se preze. Infelizmente, muitos dentistas ainda têm em mente que o jogo clínico consta apenas do espelho, pinça e sonda exploradora. A sonda milimetrada não entra nesta casta. Estes profissionais não sondam dentes, que dirá implantes!

O problema é que sondar implantes não é igual a sondar dentes. Os tecidos peri-implantares são um pouco diferentes dos tecidos periodontais. A força de adesão do selamento biológico ao redor dos dentes é maior do que ao redor de implantes. Em outras palavras: a sonda penetra mais facilmente no sulco peri-implantar do que no sulco ao redor de dentes. Sabendo-se deste detalhe, é necessário um treinamento para que os implantes sejam sondados corretamente.

A pressão exagerada na sondagem não realiza um exame de inspeção adequado, mas sim um estupro no sulco peri-implantar. Neste tipo de agressão, o sangramento é inevitável. Porém, este sangramento é resultado do trauma da sondagem e não da inflamação do sulco. Saber diferenciar se o sangramento é resultado da inflamação ou da pressão inadequada da sondagem é que é o problema. E os problemas não param por aí. Além da pressão de sondagem, existem as próteses sobre os implantes que dificultam a inserção da sonda na posição correta. Imaginem vocês realizar uma sondagem na lingual de uma prótese tipo protocolo. Por estas razões, as últimas pesquisas vêm demonstrando que para sondar adequadamente os implantes deve-se remover as próteses, quando estas não permitem a inserção da sonda em uma posição correta. Confira este artigo sobre o assunto.

Esta determinação é um tanto acadêmica e difícil de ser aplicada no dia a dia de um clínico. Mas, é preferível ter mais trabalho removendo as próteses, do que realizar uma sondagem inadequada (Figuras 1-6).

Figura 1

Sondagem, Peri-implantite
Figura 2
Sondagem, Peri-implantite
figura 3

Sondagem, Peri-implantite
Figura 4
Sondagem, Peri-implantite
Figura 5

Figura 6

Manter os implantes com saúde em longo prazo é o verdadeiro desafio do dentista moderno. Mesmo que você não seja especialista em Implantodontia, você tem obrigação de conhecer os tecidos peri-implantares e saber quando eles estão doentes. As histórias contadas pelos nossos pacientes, que frequentaram dentistas durante uma vida inteira e nunca lhe disseram que eles tinham problemas periodontais, e que nunca lhe fizeram uma sondagem sequer, não podem se repetir agora com os implantes. O diagnóstico de uma doença peri-implantar passa pelo saber sondar e saber interpretar os sinais e sintomas provocados pela sondagem.

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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