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Publicado em: 11/30/2012 11h57

Incisivos superiores: dois ou quatro implantes?

A resposta errada à pergunta pode levar a resultados protéticos esteticamente deficientes e pacientes extremamente insatisfeitos.

Uma das regiões mais difíceis de colocar implantes é o segmento dos incisivos superiores. Uma gama muito grande de pacientes apresenta a perda desses quatro elementos com resoluções protéticas convencionais que deixam bastante a desejar sob o ponto de vista estético. A partir do momento que surgiram os implantes, esses pacientes começaram a procurar os implantodontistas para repor a sua antiga dentição original.

Muitos desses indivíduos apresentam próteses removíveis. Outros apresentam próteses fixas, e outros ainda já aparecem com reabilitações implantossuportadas. Em todas essas situações, o ponto em comum é a estética desfavorável em que, quase sempre, temos o espaço mesiodistal reduzido. Essa desproporção na área edêntula anterior superior torna a resolução protética bastante difícil, mesmo que se tenha muito osso em altura e espessura para a colocação das fixações.

Infelizmente, ainda hoje, alguns profissionais visualizam somente o tecido ósseo e a etapa cirúrgica dos implantes, esquecendo-se completamente da prótese, que é a parte final, a mais importante e a mais aguardada pelos pacientes. Desta forma, enceramentos de diagnóstico e planejamento reverso, começando pela prótese, são deixados de lado. O resultado são próteses esteticamente deficientes e pacientes extremamente insatisfeitos. Além disso, alguns colegas costumam orçar os trabalhos pelo número de implantes que colocam e não pela resolução do caso propriamente dito.

Esses "profissionais" têm arraigado no seu inconsciente que quanto mais implantes eles colocarem, mais dinheiro ganharão. Sob este prisma, a região anterior superior vai ganhar sempre quatro implantes. O resultado são implantes espremidos, desrespeitando as distâncias biológicas peri-implantares, espremendo papilas com dentes minúsculos. (Figuras 1 a 4).

Figuras 1 a 4 - Quatro implantes em região anterior superior - observar o espaço mesiodistal reduzido, comprometendo o resultado final da prótese.
Figuras 1 a 4 - Quatro implantes em região anterior superior - observar o espaço mesiodistal reduzido,
comprometendo o resultado final da prótese.

Outro ponto a ser abordado são as aspirações e os desejos dos pacientes. A maioria dos clientes que apresentam problemas nesta região quer ter os seus quatro incisivos de volta. De preferência isolados, para poder passar o fio dental e reproduzindo o mais próximo possível a situação que tinham no passado com os seus dentes naturais. O problema é que para conseguirmos esses resultados, quase sempre o caso terá que passar pela Ortodontia, abrindo o espaço para a colocação de quatro implantes. Mesmo assim, a seleção do tipo de implante também deve ser cuidadosa, pois mesmo com o espaço adequado, a região anterior superior costuma deixar à vista pequenas falhas de posicionamento. Assim, além do espaço, a disponibilidade óssea deve ser impecável, para que os implantes sejam muito bem posicionados e as próteses possam ser confeccionadas sem engenhocas anguladas que comprometem a estética.

Por essas e outras razões, muitos implantodontistas optam por reabilitar essas áreas somente com dois implantes (Figuras 5 a 7). Esse tipo de solução facilita a prótese e devolve a estética com maior facilidade. O inconveniente é trabalhar a cabeça dos pacientes para aceitarem uma nova prótese fixa. Em muitos casos, ouviremos a resposta: "Se for pra usar uma fixa, eu fico como estou".

Figuras 5 a 7 - Dois implantes para reabilitar os quatro incisivos superiores. Observar o bom resultado protético e estético.
Figuras 5 a 7 - Dois implantes para reabilitar os quatro incisivos superiores.
Observar o bom resultado protético e estético.

Cabe a nós enxergarmos essas dificuldades antes de iniciarmos os procedimentos. Essa discussão deve ocorrer nas consultas de planejamento e o paciente deve ter plena participação nelas, ajudando a decidir. Deixar esta decisão para depois da cirurgia de reabertura, após a osseointegração, é passar um certificado de incompetência. Daí só restará dizer, com aquela cara amarela: "Infelizmente, vamos sepultar um dos seus implantes e faremos uma fixa, caso contrário vai ficar muito feio".

"Quando as riquezas aumentam, crescem também aqueles que as devoram." (Eclesiastes 5:10).

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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