INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 12/13/2012 62h0

Cone-morse em regiões estéticas: ainda a melhor solução

Bianchini discute as caranterísticas dos implantes cone-morse que o colocam à frente dos sistemas de HE em muitos casos.

Os implantes cone-morse chegaram pra ficar. O que muita gente desconhece é que, na verdade, eles chegaram há muito tempo através do sistema Ankylus, que foi lançado um pouco depois do sistema Brånemark de hexágono externo. A mídia e o marketing dos sistemas de hexágono externo acabaram ofuscando o sistema cone-morse, principalmente no Brasil, onde as empresas nacionais demoraram muito para apresentar as plataformas morse.

A plataforma cone-morse, embora diferente, segue o princípio da plataforma switching, onde o intermediário protético é menor do que a cabeça do implante. Isto permite uma acomodação melhor das distâncias biológicas que irão se formar junto ao abutment protético. Esta nova configuração permite que, em muitas situações, possa se observar a formação óssea acima do implante e junto ao intermediário protético. Na verdade, o que ocorre é que este tipo de implante exige que a sua colocação seja a nível ósseo ou infraósseo, pois a conexão protética funciona de uma maneira diferente, permitindo que os implantes sejam colocados em uma posição mais intraóssea.

Quando se trata de regiões estéticas, as vantagens do sistema cone-morse são imensas. Geralmente, nestas situações, temos a necessidade de "esconder" totalmente qualquer linha divisória entre o intermediário protético e o implante. Além disso, a manutenção das papilas com uma distância interimplante, ou entre implante e dente natural, corretas também são essenciais para um resultado estético favorável. Tudo isso é mais facilmente obtido com o sistema cone-morse, do que com o sistema de hexágono externo, pois se colocarmos os implantes de hexágono externo muito dentro do osso, certamente teremos uma saucerização.

Os implantes cone-morse diminuíram as distâncias mínimas necessárias entre implantes, e entre dentes e implantes, o que se revelou uma quebra de paradigma. Além disso, esses implantes apresentaram uma diminuição da sua largura. A maioria deles é de 3,5 mm de espessura. Isto melhora ainda mais as dimensões peri-implantares. As Figuras 1 a 9 ilustram essas vantagens.

Figuras 1 e 2 - Fratura radicular do elemento 11. Observar o aumento de volume na vestibular antes da remoção do fragmento.
Figuras 1 e 2 - Fratura radicular do elemento 11. Observar o aumento de volume na vestibular antes da remoção do fragmento.

Figuras 3 e 4 - Corte tomográfico identificando a fratura e o dente removido.
Figuras 3 e 4 - Corte tomográfico identificando a fratura e o dente removido.

Figuras 5 e 6 - Implante cone-morse com 3,5 mm de espessura, imediatamente inserido, e coroa provisória imediata.
Figuras 5 e 6 - Implante cone-morse com 3,5 mm de espessura, imediatamente inserido, e coroa provisória imediata.

Figura 7 - Radiografia periapical no transcirúrgico. Observar o
Figura 7 - Radiografia periapical no transcirúrgico. Observar o "gap ósseo" junto ao intermediário protético.

Figuras 8 e 9 - Controle radiográfico e clínico após um ano. Observar o
Figuras 8 e 9 - Controle radiográfico e clínico após um ano. Observar o "fechamento" ósseo sobre o intermediário protético e a normalidade dos tecidos moles peri-implantares com um excelente resultado estético.

Trabalhar com implantes exige uma versatilidade profissional. O bom e velho hexágono externo ainda resolve bem muitos casos. Alguns colegas insistem em argumentar que em time que ganha não se mexe e que não vale a pena trocar o certo pelo duvidoso. Contudo, é preciso observar os casos em longo prazo e absorver as inovações da área. Os implantes de hexágono externo têm demonstrado que as reabsorções peri-implantares ocorrem nas mais variadas situações, mas principalmente naqueles casos onde aproximamos demais dentes de implantes ou os implantes uns dos outros, ou ainda quando "enterramos" demais os implantes, deixando o hexágono submerso no osso.

Mesmo respeitando as distâncias preconizadas pelos fabricantes de hexágono externo, temos observado que as perdas ósseas peri-implantares existem e fazem parte do comportamento dos implantes ao longo dos anos. Assim, mesmo que essas perdas sejam naturais e não patológicas, elas podem afetar a estética. Os implantes cone-morse parecem responder melhor a esses tipos de situações, preservando o osso peri-implantar e os tecidos moles, o que acarreta menos danos estéticos.

"O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos". (Provérbios 1:5)

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters