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Publicado em: 9/11/2013 30h1

É possível fazer prática clínica com segurança no mundo globalizado?

Paulo Rossetti dá dicas de como conciliar a teoria com a prática para conseguir melhores resultados clínicos.

Muitas vezes, tenho a sensação de que clínica e teoria são como água e óleo. Por natureza, estes componentes não se misturam; então, a minha sensação é falsa: como praticar sem ter base teórica? A prática não modifica a teoria? No dia a dia, abençoado o profissional que pode testar os produtos e conceitos do mercado. Sob um olhar cuidadoso, podemos dizer que muitas tendências, consideradas "revolucionárias" há dez anos, hoje não se mostram tão "hollywoodianas" assim.

O ITI acaba de publicar a sua 5ª Conferência de Consenso. Dois alertas nesta reunião foram muito importantes: 1) a escassez de dados sobre diversos assuntos, e daí a incapacidade de se tirar conclusões que possam beneficiar clínicos e pacientes; 2) a preocupação com as falhas mecânicas nas próteses, pela ampla variedade de produtos que existem no mercado, e como eles têm sido usados/conectados/intercambiados nas últimas décadas.

O primeiro alerta nos pega de jeito: não importa se você colabora em uma pesquisa clínica, é professor, ou apenas tem consultório particular; precisamos urgentemente coletar dados iniciais com maior precisão. O registro minucioso dá melhor salvaguarda e resposta ao paciente, principalmente quando o tratamento não sai do jeito que a gente quer. Entretanto, dependendo do procedimento, a coleta inicial ficará mais cara (por exemplo: tomografia computadorizada no aumento lateral de uma maxila ou mandíbula extremamente reabsorvida). São os ossos do ofício.

O segundo alerta reflete também as transformações econômicas e o nosso país não fica imune. Será que no mundo globalizado eu posso ter o luxo de escolher o paciente que eu quero tratar? E se no Brasil eu não tiver o componente protético da mesma marca do implante, vou usar qual? Eu sempre consigo comprar o implante e componente da mesma marca, dentro das possibilidades financeiras do meu paciente, mesmo que possivelmente isto "seja contra" os meus desejos científicos? Como fazer a transição entre um "sistema consagrado" e outro que "acaba de chegar" no mercado? Sempre será necessário termos uma "conexão de resgate"?

Estas questões exigem reflexão porque em grande parte seremos responsáveis pela durabilidade compartilhada (tradução de "custo-benefício") do tratamento e, sinceramente, não acho que toda água benta do planeta vai fazer a diferença.

Boa semana!

Paulo Rossetti é editor-científico da revista ImplantNews. Cirurgião-dentista, mestre e doutor em Reabilitação Oral - FOB/USP; Membro ITI (International Team for Oral Implantology).



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