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Publicado em: 9/25/2013 11h9

Doença periodontal prévia: risco de peri-implantite?

Marco Bianchini comenta sobre os indicadores de risco de doenças peri-implantarese como evitá-los.

Esta semana estamos todos (ou quase todos) participando do IN 2013, o maior congresso de Implantodontia da América Latina. Acabo de sair de um simpósio sobre peri-implantite, realizado no Corporate Session, que é uma espécie de pré-congresso vinculado às empresas fabricantes de implantes. Esta atividade foi coordenada pelos professores Sérgio de Oliveira e Wagner Verrone. Dentre os vários tópicos abordados, o que mais me chamou a atenção foi os indicadores de risco às doenças peri-implantares. Muito se fala em diagnóstico e tratamento das alterações peri-implantares, mas pouco se dá importância a alguns indicadores de risco destes problemas de reabsorção óssea peri-implantar.

A maioria dos artigos científicos que discutem este tema considera o fumo, a má higiene oral e as doenças periodontais pregressas como importantes indicadores de risco para o desenvolvimento de uma futura peri-implantite. Dentre eles, eu dou um maior destaque às doenças periodontais - principalmente porque muitos dos pacientes que recebem implantes perderam os dentes por doença periodontal ou ainda possuem dentes que estão sendo atingidos por ela. Assim, nós acabamos reféns deste problema, pois temos que conviver com uma doença presente durante a nossa terapia com implantes. Mesmo aumentando o risco, nós não vamos nos furtar a realizar implantes nestes pacientes. Então, quais as medidas que devemos tomar?

Parece comum, mas é verdade: a prevenção ainda é o melhor remédio. Esta afirmação, feita pelos professores Luiz Guilherme Macedo e Marcio Casati, durante o simpósio, se aplica muito bem nestas situações de doença periodontal pregressa. Pacientes com doença periodontal devem estar sob um rígido programa de manutenção e acompanhamento. Desta forma, poderemos acompanhar de perto qualquer modificação clínica e radiográfica que possa aparecer, por menor que seja. Baseado nisso, acabei me recordando de um caso limite, onde optamos pela manutenção de vários dentes com doença periodontal e pela colocação de alguns implantes. As Figuras 1 e 2 retratam esta situação.

Figura 1 - Radiografia periapical imediatamente após a colocação dos implantes inferiores.
Observar as extensas perdas ósseas dos elementos dentais remanescentes e a presença de tecido ósseo
envolvendo todo o corpo dos implantes.


Figura 2 - Radiografia periapical após oito meses da colocação dos implantes inferiores. Observar o
aumento da perda óssea peri-implantar nos implantes inferiores.

Obviamente, muitos colegas recomendariam a extração de todos os elementos dentais e a realização de dois protocolos, superior e inferior. Certamente, teria sido uma escolha interessante, mas não eliminaria o risco do paciente, que continuaria sendo um susceptível às doenças periodontais e peri-implantares. Como o controle de biofilme e da mobilidade dos dentes remanescentes era efetivo, nós optamos por um planejamento que conservasse os elementos dentais. Observe na Figura 3 a situação clínica do paciente.

Figura 3: Aspecto clínico antes da colocação dos implantes. Observar o bom aspecto
dos tecidos moles e o razoável controle do biofilme.

A rotina do consultório pode levar o profissional a não identificar pequenos sinais de doenças peri-implantares ou alterações protéticas em seus pacientes. Portanto, deve-se criar um protocolo de atendimento em que o paciente seja chamado para a manutenção, respeitando-se o tempo entre as consultas de acordo com o risco de cada indivíduo. A frequência das consultas dependerá de alguns fatores, como: controle de biofilme, habilidade manual, persistência dos sinais clínicos inflamatórios, alterações dos níveis de inserção óssea, grau de reabilitação, fatores sistêmicos e fatores comportamentais.

No caso em questão, mesmo com todo o controle executado, o paciente já apresentava perdas ósseas após oito meses de instalação dos implantes. Cabe a nós continuarmos com a manutenção e observação dos sinais e sintomas, evitando uma progressão exacerbada destes problemas. Todos estes procedimentos devem ser realizados também antes da confecção dos implantes, para que possamos minimizar os riscos de alterações significativas dos tecidos moles e duros peri-implantares.

"A herança que o senhor concede são os filhos, seu salário é fruto do ventre: os filhos da juventude são flechas nas mãos de um guerreiro." (Salmos 127, 3

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato: bian07@yahoo.com.br



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