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Publicado em: 10/18/2013 24h4

Overdentures ou protocolo sobre quatro implantes?

Com os implantes inclinados, a ancoragem em implantodontia, e a técnica <em>all-on-four</em> nós ainda precisamos utilizar as sobredentaduras? Marco Bianchini discute a questão.

As overdentures são também conhecidas como sobredentaduras e, na realidade, constituem-se em uma prótese total sobreimplantes, que recupera não somente a porção dental perdida, mas também parte do rebordo alveolar que oferecia suporte aos músculos da face. Esta técnica teve o seu "boom" de realização na década de 1990, mas continua sendo utilizada em muitas situações. O que eu me pergunto é exatamente o título da coluna desta semana: será que com o advento dos implantes inclinados, do princípio da ancoragem em Implantodontia e da técnica all-on-four, nós ainda precisamos utilizar as sobredentaduras?

A falta de tecido ósseo suficiente para a tradicional colocação de cinco a seis implantes que possibilitem a realização de uma prótese fixa pode ser suprida pela realização das sobredentaduras. Mesmo com a possibilidade da realização de enxertos ósseos para viabilizar a colocação de um maior número de implantes, e a consequente confecção de uma prótese fixa, muitos pacientes ainda preferem o uso das sobredentaduras. Seja por razões socioeconômicas ou pela opção com menor trauma cirúrgico, as sobredentaduras têm um potencial de aceitação interessante, visto que mantêm o suporte muscular utilizado por muitos anos através das próteses totais convencionais.

As próteses totais fixas sobreimplantes, muitas vezes, não determinam o completo restabelecimento das dimensões faciais, das referências fonéticas, dos tecidos moles peri-implantares e do volume muscular da face. A completa recuperação desses tecidos, para que se possa confeccionar uma prótese fixa sobreimplantes, pode exigir uma série de procedimentos de enxertos de tecido mole e duro previamente à colocação dos implantes, além de cirurgias plásticas corretivas da face. Esses procedimentos são geralmente extensos e necessitam de intervenções de grande impacto, aumentando o custo e o tempo do tratamento.

Muitos clientes portadores de próteses totais por mais de 30 anos querem passar a ter dentes fixos novamente, mas não fazem ideia das diferenças que isso irá causar nos seus hábitos alimentares e de higiene oral. As referências fonéticas perdidas, o acúmulo de restos alimentares na região entre o alvéolo e a prótese, além da dificuldade de limpeza são os problemas mais frequentemente relatados pelos portadores de próteses fixas sobreimplantes. Já nas sobredentaduras, os pacientes removem a prótese para executar a limpeza, ato este que já vinham executando quando utilizavam a prótese total convencional. As Figuras 1 a 7 demonstram um caso de uma paciente que usa uma overdenture há quatro anos, e não quer passar para uma prótese fixa tipo protocolo, pois se diz perfeitamente adaptada. Este caso faz parte de uma pesquisa que estamos realizando na USP-Fundecto, onde avaliamos o sucesso dos implantes em logo prazo e o grau de satisfação dos pacientes.

 

Figura 1 - Três implantes colocados na mandíbula. Observar que somente
dois implantes possuem intermediário protético. O implante central possui
apenas um cicatrizador, que está "adaptado" na overdenture.

 

Figura 2 - Parte interna da overdenture. Observar a extensão mucosa
da prótese e o desgaste interno para "adaptação" do implante central.

Figura 3 - Vista oclusal da prótese. Observar a presença de biofilme e a
extensão da prótese,  semelhante a uma prótese total convencional.

Figuras 4 e 5 - Radiografias periapicais com quatro anos de função. Observar a
boa condição do tecido ósseo peri-implantar de todas as fixações.

Figura 6 e 7 - Vistas intra e extraoral da sobredentadura. Observar a grande extensão mucosa da
overdenture inferior e o sorriso da paciente, que não mostra a prótese inferior.

Talvez a maior das vantagens das sobredentaduras seja o fato de elas necessitarem de poucos implantes para suportá-las, pois também possuem retenção da mucosa. Sendo assim, tornaram-se a solução para arcadas atróficas e com necessidade de um maior suporte muscular, além de um custo bastante reduzido. O que ocorre é que, atualmente, utiliza-se muito a inclinação de implantes, buscando um princípio de ancoragem que proporciona a inserção de um menor número de fixações para suportar uma prótese fixa. A técnica do all-on-four demonstrou isto com muita propriedade. Assim, podemos conseguir suporte para uma prótese protocolo com um menor número de implantes. Entretanto, os problemas de adaptação, higiene e de custos vão continuar existindo.

As overdentures vão continuar com suas indicações precisas, podendo perfeitamente ser usadas na Implantodontia atual, principalmente naqueles pacientes que vão ter uma enorme dificuldade na transição de uma prótese total móvel para uma fixa tipo protocolo, ou para aqueles que não possuem condições socioeconômicas para arcar com uma prótese tipo protocolo. Quem nunca teve uma história de má adaptação e/ou aceitação de próteses protocolo? Talvez, para estas situações as overdentures ainda são a melhor solução, desde que sejam bastante discutidas na fase de planejamento.

"O reino do céu é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra esta pérola." (Mateus 13, 45-46)

 

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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