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Publicado em: 10/25/2013 94h0

Brocas cirúrgicas: como usá-las adequadamente?

Marco Bianchini dá dicas para a correta utilização das brocas e como escolhê-las entre tantas formas e espessuras.

Os fabricantes de implantes oferecem variadas dimensões para os mais diversos tipos de implantes. Tal variedade de opções acaba por influenciar diretamente na sequência de brocas utilizadas para cada tipo de implante. A maior variação ocorre durante o alargamento do tecido ósseo. As diferentes formas e espessuras oferecidas pelos fabricantes acabam por obrigá-los a oferecer também diversas brocas para ajustar o futuro alvéolo às dimensões do implante que foi selecionado. O que ocorre é que nem sempre essa variedade de brocas está devidamente estudada e pesquisada em relação à sua influência no tecido ósseo, podendo acarretar-lhe traumas excessivos e prejudicar o resultado final. Portanto, é imprescindível que o implantodontista trabalhe com um sistema de implantes que tenha uma sequência de brocas que, comprovadamente, não traumatize em excesso o tecido ósseo.

O material do qual são feitas as brocas pode variar entre os fabricantes. Idealmente, as brocas devem ser feitas de aço para evitar oxidações e minimizar os riscos de sofrerem fraturas. Quando os implantes foram lançados no mercado, as brocas eram descartáveis e só poderiam ser utilizadas em uma única cirurgia. Essa recomendação do fabricante levava em conta não apenas a perda de corte da broca após o seu uso e reesterilização, mas principalmente a oxidação do metal, que poderia contaminar a área com outras ligas que não fossem de titânio.

Atualmente, os fabricantes não inviabilizam a reutilização das brocas após uma correta limpeza, desinfecção e esterilização. A maioria das empresas recomenda que as brocas sejam reutilizadas em, no máximo, dez procedimentos. Essa preconização deve ser observada pelos implantodontistas com muita atenção. A qualidade do tecido ósseo influencia no esforço das brocas em perfurar o osso. Consequentemente, a repetição exagerada no uso de brocas em situações que exijam demasiadamente o seu poder de corte pode acarretar problemas, como o superaquecimento do osso, fraturas e desprendimento de rebarbas metálicas. As reesterilizações consecutivas também modificam a têmpera dos metais, danificando o seu poder de corte e exigindo maior esforço para a perfuração.

As perfurações no tecido ósseo são realizadas por motores especialmente desenvolvidos para a Implantodontia. A velocidade utilizada para a confecção do orifício que irá constituir o alvéolo cirúrgico varia de 1500 rpm a 2000 rpm. Já a velocidade para a instalação do implante é bastante reduzida, entre 10 rpm a 20 rpm, porém, com torque aumentado. Essas rotações são acompanhadas de irrigação com solução fisiológica, para minimizar traumas. É importante lembrar que de nada adianta o uso de rotações exageradas, acima de 2000 rpm, quando se estiver utilizando brocas sem poder de corte adequado. O aumento da velocidade do motor pode dar a falsa impressão de que a broca ainda tem um poder de corte adequado, levando a um superaquecimento do osso.

As brocas mais eficazes para a perfuração óssea de implantes ainda têm como fonte inspiradora os diâmetros padronizados pelo sistema Brånemark (Figura 1) nos primórdios da Implantodontia. Elas vêm sendo utilizadas por quase todos os fabricantes de implantes, sofrendo pequenas variações que estão diretamente relacionadas com as dimensões dos implantes.

 

Figura 1 - Brocas de perfuração utilizadas originalmente no sistema Brånemark. Observar a sequência da esquerda
para a direita: broca esférica, fresa de 2 mm, piloto de 2 para 3 mm, fresa de 3 mm e countersink.

 

Confesso a vocês que ainda acredito muito nesta sequência descrita na Figura 1. Durante toda a minha vida de implantodontista, utilizei estas brocas com sucesso. Obviamente, as inovações nos desenhos dos implantes nos obrigaram a mudar um pouco este padrão, mas a lógica escalonada que não traumatiza e aquece menos o osso permanece. Sendo assim, mais uma vez a responsabilidade do operador requer o bom senso no momento de selecionar as brocas e de não repetir o seu uso indiscriminadamente. É aconselhável o uso de brocas e implantes de um mesmo sistema, logicamente com o conhecimento de sua procedência e identificação do material utilizado na fabricação das mesmas.

"Não siga suas paixões. Coloque freio nos seus desejos. Se você permite satisfazer a paixão, ela tornará você motivo de zombaria para seus inimigos." (Eclesiástico 18, 30-31)

 

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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