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Publicado em: 11/8/2013 45h2

Suturas: verdades e mitos

Marco Bianchini fala sobre a importância de uma sutura bem feita para o sucesso do tratamento.

As suturas constituem-se em um ato cirúrgico que visa ligar vasos sanguíneos e aproximar tecidos, que foram rompidos e afastados durante a incisão e descolamento do retalho. São de fundamental importância na Implantodontia, pois falhas na sua execução podem comprometer todo o trabalho. Raramente encontramos artigos ou trabalhos científicos que abordem este tema. Isto nos leva a acreditar que é um procedimento trivial, com pouco risco de insucesso. Contudo, como o ato de suturar realiza-se sempre no final da cirurgia, o risco de falhas acaba aumentando, uma vez que o profissional pode estar cansado e ansioso para terminar o seu trabalho. Além disso, o mito da obrigação de recobrir totalmente o implante ainda persiste em algumas escolas, levando muitos profissionais a se desdobrarem em soluções miraculosas, entre fios e relaxantes, para esconder a tampa do implante.

O objetivo principal de uma sutura é promover o fechamento do retalho, para que ocorra a cicatrização dos tecidos moles que foram incisados, como também das estruturas subjacentes. Se o retalho não for aproximado, a área cirúrgica estará sujeita à ação de fatores irritantes que poderão prejudicar a homeostasia da região. Quando uma sutura é mal feita, o tecido ósseo e o próprio corpo do implante poderão ficar expostos, susceptíveis ao ataque da placa bacteriana, ocasionando reabsorções ósseas, dor, retardo da cura e até mesmo perda da fixação. Assim, devemos primar pela realização de uma sutura correta, sem tensões nos tecidos moles e que proteja corretamente os implantes. Você, leitor, deve estar pensando: "Todo mundo já sabe disso". É verdade! Nem tudo são flores no dia a dia do clínico em Implantodontia. Existem situações que fogem a regra e, apesar de nos esforçarmos, as intercorrências acabam aparecendo. Devemos estar preparados para elas tentando amenizar os seus efeitos.

Pequenas exposições da tampa do implante podem ser consideradas normais e ser perfeitamente controladas pelo implantodontista, dependendo da área e do tecido mole que circunda essa tampa. A presença de uma boa quantidade de mucosa ceratinizada poderá oferecer uma adequada proteção ao implante, mesmo com uma pequena exposição da tampa. Situações mais extremas, onde a exposição da tampa é maior e envolve áreas estéticas, deverão ser reconsideradas pelo profissional. Um exame clínico apurado nas consultas de planejamento e o estudo correto da posição intraóssea final do implante nos mostrarão se seremos capazes ou não de recobrir a tampa do implante sem comprometer o retalho e a sutura. Caso seja diagnosticado que não haverá condições de recobrir toda a tampa, pode-se perfeitamente deixá-la exposta ou colocar um cicatrizador, estabelecendo um padrão de implantes de um único estágio. Com este planejamento prévio, evitaremos problemas no fechamento da ferida. Tensionar os tecidos moles só vai aumentar a possibilidade de necrose.

Outro aspecto a ser levado em consideração na realização das suturas são os diversos tipos de fios que encontramos no mercado. A variedade é muito grande: não reabsorvíveis, reabsorvíveis, seda, nylon etc. A seda oferece a vantagem na manipulação e segurança no nó; por outro lado, acumula muita placa em sua superfície. Já o nylon desliza mais facilmente no interior dos tecidos e não acumula tanta placa bacteriana, porém, o nó desse fio de sutura pode soltar facilmente devido a essa mesma lisura. Os reabsorvíveis favorecem a cicatrização nos casos que teremos dificuldades de remoção, como as cargas imediatas. Já os não reabsorvíveis são usados corriqueiramente na clínica diária, pois temos facilidade na sua remoção.

A seleção do tipo de sutura envolve alguns critérios de ordem pessoal. Os diversos tipos de fios, sejam eles reabsorvíveis ou não reabsorvíveis, oferecem vantagens e desvantagens que devem ser analisadas pelo profissional. O mais importante é que ocorra um correto monitoramento pós-operatório para que as falhas possam ser corrigidas em tempo hábil, evitando necroses teciduais indesejáveis e até mesmo a perda do implante. Pequenas necroses e exposições ósseas ou do implante podem ser controladas com estímulos teciduais (fazer sangrar a área livre de fios) e assepsia da região com o tradicional soro fisiológico, provocando uma cicatrização por segunda intenção, que não é pecado mortal. Mais vale gastar muitas seções de pós-operatório, corrigindo as falhas de sutura, do que negligenciar este período e perder todo o trabalho.

"Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. (Filipenses:2,5-7)

Marco Bianchini
Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato:
bian07@yahoo.com.br



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