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Publicado em: 12/12/2013 09h09

Financiamento colaborativo (crowdfunding) e acesso livre: manifesto por uma terapia odontológica mais construtiva

Paulo Rossetti fala sobre fundos colaborativos para auxiliar na pesquisa científica.
Nos últimos anos, diversas empresas foram constituídas para fabricação de materiais odontológicos em diversas áreas (resinas compostas, adesivos, compostos regenerativos). Entretanto, nem sempre os materiais disponíveis possuem pesquisas longitudinais que realmente comprovem sua efetividade clínica. Isto não quer dizer que não tenham passado pelo selo das entidades governamentais fiscalizadoras, que exigem o arquivamento dos dados sobre sucesso ou falhas destes materiais.

Ao mesmo tempo, as exposições comerciais se multiplicam, e em diversas oportunidades do ano o profissional se vê diante de uma ampla gama de ofertas. Mesmo assim, deve ser muito complicado para alguém que trabalha entre quatro paredes, das oito horas da manhã às oito horas da noite, tomar uma decisão custo-benefício adequada, principalmente quando o produto a ser comprado envolve uma terapia invasiva e traz consigo a expectativa de melhorar a aparência do seu paciente.

Também, hoje é muito difícil não encontrar ministradores que de alguma forma estejam ligados ou parcialmente patrocinados por empresas. Há algum problema em trabalhar como consultor de uma empresa e ganhar seu dinheiro honestamente? Não, mas na maioria das vezes o “conflito de interesse” não fica claro ou demonstrado para o público ouvinte.

Por outro lado, é fato que o estilo de comunicação científica deverá mudar nos próximos anos: a ideia é fornecer dados que sejam mais palpáveis pelos clínicos, e que os artigos científicos publicados sejam atualizados em tempo real (bye-bye fator de impacto?). Isto vai exigir a criação de um site seguro acessível aos clínicos, porque, afinal de contas, são os colegas que devem decidir se praticam ou abandonam determinada terapia.

Indiscutivelmente, esta decisão estará ligada à realização de um projeto clínico bem concebido e executada envolvendo muito dinheiro, que não pode ser fornecido em sua totalidade pelas agências de fomento disponíveis, por melhor que sejam as intenções. Algumas empresas ainda dispõem, como contrapartida, o material que pretendem lançar no mercado.

Mas se o grupo controle não for o elemento mais forte do projeto (um padrão ouro, quando possível) ou se as ferramentas de avaliação não forem as melhores disponíveis (por exemplo, como alguém pode dizer que determinado material de enxerto ósseo funciona sem sequer ao menos analisar a espessura do rebordo antes e depois da cicatrização?), seguramente qualquer resultado atribuído ao produto testado “se transformará” em efetivo.

Talvez, o financiamento colaborativo (crowdfunding) seja uma saída. Este levantamento de fundos não é algo novo, já que as campanhas de doação existem desde que o mundo é mundo, para socorrer pessoas ou criar algo interessante. Um comitê seria constituído para conceber e fiscalizar o projeto.

Por exemplo, o Grupo Perio-Implantar, no Facebook, possui mais de 10.000 membros. Se todos doassem um real por mês, no final do ano já teríamos 120 mil reais. Sem contar que outros grupos interessados poderiam se associar, e o montante aumentaria significativamente. Os dados seriam disponibilizados anualmente e de forma gratuita (o tão sonhado acesso total e livre).

No consultório, nós buscamos respostas para os nossos pacientes. Uma odontologia construtiva só pode ser feita de forma colaborativa.

Paulo Rossetti é editor-científico da revista ImplantNews. Cirurgião-dentista, mestre e doutor em Reabilitação Oral - FOB/USP; Membro ITI (International Team for Oral Implantology).



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