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Publicado em: 28/01/2014 09h05

A “dança” dos números na Implantodontia

Paulo Rossetti comenta os resultados do Censo das especialidades Odontológicas.
Segundo o Censo Demográfico da Força de Trabalho das Especialidades Odontológicas: Brasil 2010, publicado em 2012, existem 4.237 especialistas com registro ativo, cuja média de idade é quase 42 anos. Ainda, o tempo médio de exercício da especialidade é de 4,2 anos, sendo que 75% dos profissionais possuem menos de seis anos de registro. Ainda, 42% dos especialistas em Implantodontia se encontram em regiões com PIB per capita entre 10 mil e 20 mil reais.

Se cada especialista fizer em média cinco implantes por semana, trabalhando 40 semanas, teremos ao final do ano 847.400 implantes colocados. Se aumentarmos para 20 implantes por semana, teremos ao final do ano 3.389.600 implantes colocados, com os mais variados desenhos, superfícies e conexões.

Ainda, com a taxa média de sobrevivência perto dos 97%, o número de falhas pode ficar em 25.422, e 101.688 implantes, respectivamente. Aumentando em quatro vezes o número de implantes colocados, a possibilidade de falha também quadruplica. Entretanto, é necessário dirimir o número de falhas ao longo dos anos. Caso contrário, teríamos um efeito cluster gigantesco, uma epidemia de perda de implantes; e a fase contemporânea desta especialidade, que já conta com quase 50 anos de vida, estaria condenada.

É melhor presumir que, individualmente, colocando cinco implantes por semana X 40 semanas, teríamos ao final do ano 800 implantes. Com a possibilidade de 2% de perda no primeiro ano, 16 implantes não teriam função. Multiplicando-se pelos 4.237 especialistas, ficamos com 67.792 implantes perdidos ao ano, resultando em 8% daquilo que foi colocado (dos 847.400 implantes). Se a taxa for de 1%, as perdas se resumem aos 33.896 implantes (4% do que foi colocado). Finalmente, se as perdas se resumirem aos dois implantes/ano para cada especialista, teremos 8.474 implantes perdidos, sendo 1% do que foi colocado no ano. Então, no melhor cenário (a 1% ao ano), com a força especializada trabalhando a pleno vapor, ainda teremos 8.474 implantes perdidos.

Agora, o problema fica mais interessante: os implantes perdidos podem estar sustentando próteses unitárias, próteses fixas de três elementos, ou estarem incluídos em uma prótese total. Logicamente, se nos afastarmos da estatística oficial e das previsões controladas, os números de implantes colocados, perdidos e de próteses serão maiores por ano.

Mediante a criação de uma área específica no site do CFO, bastaria apenas que o especialista reportasse quantos implantes colocou e perdeu naquele ano, apontando também os prováveis motivos. Teríamos um imenso banco de dados e uma grande chance para o Brasil entrar de vez nas estatísticas internacionais. Além disso, o montante das perdas também pode fornecer uma nova dimensão para melhor administração financeira mediante estas intercorrências.
 
Saúde e sucesso para todos em 2014!
 
Boa leitura!

Paulo Rossetti é editor-científico da revista ImplantNews. Cirurgião-dentista, mestre e doutor em Reabilitação Oral - FOB/USP.



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