INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 14/01/2015 16h03

Seu paciente perdeu o implante? Uma nova teoria

Paulo Rossetti comenta novo conceito sobre os possíveis mecanismos que explicariam as perdas de implantes.

Colegas, antes de tudo, que o ano de 2015 seja cheio de paz, saúde, e dinheiro no bolso de todos vocês!

Prestaram atenção ao título? Quem perde o implante “é o paciente”. Não vou discutir a peri-implantite; o assunto desta coluna é outro, mas tão interessante quanto.

Já existe um novo conceito sobre os possíveis mecanismos para as perdas inexplicáveis dos implantes que você jurava com os pés juntos que seriam eternos. Na Implantodontia, primeiro foi a sobrecarga, depois as bactérias. De alguns anos para cá, os restos de cimento também foram incluídos como causadores da perda óssea. Mas pairava no ar uma pergunta: se é o organismo do paciente que rejeita o implante, deve haver algo não compreendido sobre o sistema imune?

Bem, o novo conceito1 funciona assim:

  1. A Osseointegração é uma reação imune de corpo estranho, que tenta isolar o paciente da superfície do implante. No final da reação imune, com os osteoblastos e osteoclastos trabalhando para desenhar o osso ao redor do titânio, outros elementos, chamados macrófagos, se reúnem e formam uma célula gigante, que se comporta como uma sentinela. Fica estabelecido um “equilíbrio” no sistema imune e o implante entra em função.
  2. Caso exista alguma perturbação externa (sobrecarga, restos de cimento, desequilíbrio imunológico), estes macrófagos sentinelas são reativados, recrutam novas células, o “equilíbrio” imune fica comprometido, os osteoclastos trabalham mais que os osteoblastos, o tecido mole é afetado mais tarde, e finalmente, abre-se caminho para as bactérias e a perda do implante.
  3. Neste conceito, a bactéria não é o agente causador primário e sim, secundário. Mas é aí que fica interessante: bactérias produzem lipopolissacarídeos, que podem potencializar ainda mais os sinais imunológicos. Então, quando você descobrir, talvez seja tarde demais para salvar o implante.

O implante dentário é a oitava maravilha da Odontologia, mas não podemos esquecer que os pacientes precisam de atenção máxima. Saúde é um conceito dinâmico: você “está bem” até que um exame de laboratório prove o contrário. Os autores não deixaram transparecer, mas este conceito vai mudar também uma série de aspectos legais e profissionais. Vamos aguardar.

 

Até a próxima!

 

Leia mais em:

 

  1. Trindade R, Albrektsson T, Tengvall P, Wennerberg A. Foreign Body reaction to biomaterials: on mechanisms for buildup and breakdown of osseointegration. Clin Implant Dent Relat Res 2014 Sep 25. doi: 10.1111/cid.12274. [Epub ahead of print]

 

Paulo Rossetti é editor-científico da revista ImplantNews. Cirurgião-dentista, mestre e doutor em Reabilitação Oral - FOB/USP.


E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters