INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 01/04/2015 15h58

O diário de um alvéolo

Aproveitando o 1º de abril, Paulo Rossetti escolhe um ângulo inusitado para falar das dificuldades enfrentadas na manutenção do alvéolo dentário.

Como dá trabalho este tal de alvéolo na Implantodontia! Para entender o conflito, vou fazer o exercício de me colocar no lugar dele:

 

“Cavidade bucal, 1º de abril de 2015.

 

Querido diário,

Hoje foi um dia complicado. Perdi um grande amigo. Ele estava muito doente. Eu não queria nem dizer isto, mas de verdade nem sempre nos demos bem. Tem gente que nasce para ser escritor, advogado, taxista, jornalista... eu nasci alvéolo! Mas só me avisaram muito tempo depois e já tinha esse cara aí no meu pedaço. Só fiquei “sussa” quando vi um bocado de parceiros meus na mesma situação.

Até que a nossa amizade era muito legal. Tirávamos foto juntos! Mas o dente tinha muita fome, comia qualquer coisa. Eu falei para ele pegar leve. De repente, ele ficou manchado, tinha umas dores esquisitas que iam e voltavam; já não parava no mesmo lugar.

Lembro com todas as minhas paredes: o doutor que nos viu disse que era o fim da linha. Fiquei tão triste quando ele se foi que as minhas lágrimas de sangue ainda estão por toda parte. Já ouvi outros colegas dizerem que se nada for feito, a gente acabará sumindo. Ser um alvéolo perdido neste mundo é a pior coisa que pode acontecer – os meus parceiros pelo menos têm com quem tirar foto.

Bom mesmo é que nasci no século da modernidade, né? O doutor ofereceu uns lances aí que deixam a gente mais moço. Eu aceitei na mesma hora: não vou ficar para trás. Esta história de alvéolo flácido, parecendo o boneco inflável do posto de gasolina, é coisa do passado. Imagina se vão querer sorrir ou beijar a boca que me carrega! Depois, o doutor falou que eu posso até ganhar um novo colega. E também tem outra “mina” aí, a bonequinha de louça, que vai ser a chefona do pedaço. Mas eu já fui avisando na moral: igual ao meu “parça” dente não tem não!”

 

Na clínica, entender o drama do alvéolo não tem preço, principalmente quando não fazer nada imediatamente significa perder mais de 25% em área útil após quatro meses1. Nestas horas é bom não contar apenas com a Santa Apolônia.

 

Leitura recomendada:

1. Araújo MG, da Silva JCC, de Mendonça AF, Lindhe J. Ridge alterations following gafting of fresh extraction sockets in man. A randomized clinical trial. Clin Oral Implants Res 2015;26:407-12.

 

Paulo Rossetti é editor-científico da revista ImplantNews. Cirurgião-dentista, mestre e doutor em Reabilitação Oral - FOB/USP.


E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters