INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 11/03/2014 14h54

Eu sou um bom dentista?

Paulo Rossetti fala sobre a importância da autocrítica para a avaliação de um bom trabalho.
Sempre que dou aula, troco grande parte dos slides para me adaptar às percepções contemporâneas. Nem sempre é fácil passar a informação de modo simples. Ganho o dia quando faço o aluno refletir.

Curiosamente, eu nunca tinha recebido algo tão direto quanto o título desta crônica. Ao sentir a imediata fragilidade de espírito na pergunta, respondi que o simples ato de fazer um preparo dentário corretamente não significava ser um bom dentista. Será que o alívio foi mútuo?

E existe resposta? O cirurgião-dentista é um profissional treinado para tratar diversos aspectos. O treinamento recebido no curso de graduação ou em um curso de extensão não significa automaticamente que você ganha o “canudo do bom dentista”. O contexto é maior do que os nossos dental selfies, postados no Facebook.

Tratamos fenômenos biológicos que são complicados, recorrentes e, desta forma, imprevisíveis. Então, levante a mão quem nunca trepanou um canal durante um tratamento radicular, não passou vaselina na margem da coroa definitiva antes da cimentação, coletou um enxerto de tecido conjuntivo menor do que o leito receptor, ou simplesmente “esqueceu” de dar mais um nó na sutura, e no dia seguinte o paciente voltou com um pequeno inchaço doloroso. Ah, sem falar nos percalços com os implantes dentários.

Mas, os dentistas “famosos” foram ou são bons dentistas? Quadros, estátuas e títulos não falam. Seria preciso conviver com estas pessoas para entendê-los melhor, tirar a “prova dos nove”, contar todas as rugas e olheiras.

E para os nossos pacientes? Se todos os aspectos do caso clínico estão favoráveis (dente longo, gengiva espessa, rosto simétrico, oclusão satisfatória), não há como ultrapassar os limites dos materiais e das técnicas. Sucesso automático. Mas, se é preciso colocar um pouco mais de força para adaptar um lençol de borracha, refazer uma osteotomia para mudar a direção do implante, ou repetir uma moldagem em um paciente que não a tolera bem, isto resultará em um pós-operatório mais desconfortável. Sou ou não bom dentista?

Bem, sejamos francos: a única coisa que se controlada 100% no consultório odontológico é o alarme da porta principal. E, quando você acioná-lo, não deixe a filosofia entre uma bela refeição, um colo amigo e um travesseiro fofo.
 
Até a próxima!

Paulo Rossetti é editor-científico da revista ImplantNews. Cirurgião-dentista, mestre e doutor em Reabilitação Oral - FOB/USP.



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters