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Publicado em: 8/29/2018 22h2

Além da imaginação

Paulo Rossetti apresenta duas situações imaginárias para mostrar que o cirurgião-dentista passa por desafios profissionais enormes.

O ato de receber o diploma de cirurgião-dentista não nos qualifica imediatamente como aqueles que darão soluções imediatas – e melhores – em todas as situações. O juramento diz “fazer o melhor possível, o que estiver ao meu alcance, dentro dos meus conhecimentos”. Assim, basta examinarmos os cenários abaixo para compreendermos a responsabilidade:

Situação imaginária 1: o que você faria se tivesse um paciente, entre 30 e 40 anos de idade, com os dois incisivos centrais superiores, sendo que um deles está em processo de reabsorção radicular externa (trauma na infância), apresenta dor à palpação e fístula, e o paciente possui linha de sorriso alta? Detalhe: o tecido ósseo é fino, as papilas dentárias são delgadas, e há uma expectativa alta em relação a qual pode ser o resultado final. Não há ancoragem para tracionar lentamente os incisivos centrais mais coronalmente.

Situação imaginária 2: o que você faria se tivesse um paciente, entre 20 e 30 anos de idade, com ausência congênita dos dois incisivos laterais superiores, os caninos movimentados para a posição dos laterais, e as coroas provisórias já conectadas aos mini-implantes nas posições dos caninos? O tecido mole aqui não é tão fino assim.


São desafios profissionais enormes. Então, precisamos respirar e fazer um exercício de raciocínio:

  1. Estamos em uma região estética (implicação psicológica inerente);
  2. Os tecidos moles estão nas suas posições de rotina, não há recessões consideráveis;
  3. Na situação 1, inadvertidamente, vamos começar o processo de modelamento/remodelamento se (e será necessário) tirarmos o dente afetado;
  4. Na situação 2, temos o local mais crítico para fazer a manipulação tecidual;
  5. Se considerarmos que clinicamente as condições iniciais são perfeitas, e usarmos o pink esthetic score (que não foi desenvolvido para isso), estamos com pontuação máxima 14 na situação imaginária 1, e pelo menos perto dos dez pontos na situação imaginária 2. Nada garante que, ao remover o dente ou fazermos as restaurações definitivas, vamos retornar aos níveis estéticos iniciais;
  6. Se considerarmos as diretrizes de risco estético adotadas por diversos guidelines, estamos em situações complexas que contrariam quase totalmente as expectativas dos pacientes;
  7. A situação imaginária 1 “parece” mais favorável em longo prazo do que a situação 2? Em caso positivo, estamos considerando “remover também” o outro incisivo central (não ao mesmo tempo) e fazermos as cirurgias corretivas periodontais ao longo do tempo?
  8. O quanto (e quando) a margem do tecido mole vai retroceder nas situações 1 e 2? Um prêmio Nobel para quem responder...


Nesta profissão, desde cedo, precisamos ir muito além da imaginação.
 

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Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

 


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