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Publicado em: 9/28/2018 94h8

Uma bomba relógio no seu quadril

Um estudo laboratorial recente mostrou que o cobalto impede, em nível molecular, as fibras colágenas de se organizarem adequadamente.

Uma bomba atômica ou nuclear libera a energia de 20 mil toneladas de TNT. Já a bomba de hidrogênio é uma coisa assustadora. Mil vezes mais potente que uma bomba nuclear. Mas a “grande mãe de todas as bombas” pode ser mais silenciosa. E letal.

Vamos pegar dois pedaços de metal e esfregá-los. O mais fraco deixa uma sujeira escura nas suas mãos, e basta um pedação de sabão para removê-la. Algumas pessoas terão uma leve irritação que passa com o tempo.

Agora, e se esses metais soltarem partículas dentro do seu corpo? O que vai ocorrer? Nós sabemos que a constituição química básica da raça humana envolve o carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio (99%). Entretanto, também existem outros átomos, como o sódio, potássio, magnésio, cálcio, fósforo, enxofre e o cloro (0,9%). Ainda, nosso organismo usa alguns metais em quantidades traço. Grande parte é usada na fabricação de ligas odontológicas, e particularmente, o sistema cobalto-crômio-molibdênio é uma das possibilidades na prótese de quadril metal contra metal.

Ainda, todos os profissionais de saúde sabem que pele é colágeno. Agora muito em evidência porque injetamos ácido hialurônico e outros produtos nos procedimentos de harmonização facial.

Quando o cobalto é da prótese de quadril, ao longo do tempo, pode ser liberado no espaço em que há colágeno. Os pacientes caminham, sentam, levantam. É a mesma coisa que esfregar as mãos. Gera atrito e desgaste constante.

E daí a coisa complica: um estudo laboratorial recente mostrou que o cobalto impede, em nível molecular, as fibras colágenas de se organizarem adequadamente, formando grumos localizados e mudando sua rigidez. Ou seja, é como se tivéssemos uma ponte muito longa, forte em algumas áreas e fraca em outras. Qualquer motorista pensaria muito antes de cruzá-la.

Outro ponto importante: o tecido ósseo é colágeno. Osteoblastos estiveram neste teste, e bastaram 200ppm de cobalto para reduzir a viabilidade e a proliferação destas células. Um lembrete: até 2025 seremos um país com mais idosos.

E será difícil desarmar essa bomba.

 

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Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

 


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