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Publicado em: 4/30/2019 53h6

Simplificando a estatística da perda óssea

Como o clínico pode usar (finalmente) a estatística básica para interpretar a remodelação óssea peri-implantar? Paulo Rossetti responde.

O que foi concebido pelo ser humano pode ser entendido pelo ser humano. Basta um pouco de esforço. O grande problema é criar um meio didático para explicar com palavras ou imagens simples.

No mundo da estatística, isso não é diferente. Em geral, os números nos assombram – deveria ser o contrário. Repetidamente, ao lermos trabalhos clínicos, deparamos-nos com alguns descritores que trazem um poder fundamental à compreensão do artigo, mas, infelizmente, ficamos “a ver navios”.

Imagine que você está lendo um trabalho e o pesquisador diz assim: a “distribuição da perda óssea foi considerada dentro da normalidade” e “a média de perda óssea depois de cinco anos foi de 0,5 ± 1,0 mm”.

Duas coisas importantes: a distribuição normal é a curva de Gauss. Ela entra na parada.

A média, esse a gente entende. Mas aí você se perde completamente porque tem “um número” depois do símbolo que você não compreende, até agora, esse tal de “desvio-padrão”.

Quando média e o desvio-padrão se juntam, eles estabelecem a “chance” de alguma coisa ocorrer. Esta chance é a famosa probabilidade que fica sob a área da curva abaixo:

 

Dessa forma, olhando o gráfico, por exemplo, a “chance” dos valores ficarem entre 0,5 mm e 1,5 mm é de 34%. Da mesma maneira, a “chance” dos valores ficarem entre -0,5 mm e 0,5 mm é de 34%. Mas, se estamos falando de “remodelação óssea”, vamos considerar que tudo que estiver à esquerda do zero “ganha” osso, e tudo que estiver à direita do zero “perde” osso.

E a imagem ficaria assim:

 

Observe que a área em vermelho é um pouco maior do que a área em verde. Assim, a “chance” de perder osso é um pouco maior do que ganhar osso.

Então, neste grupo de pacientes, se todos os outros padrões que afetam a remodelação óssea forem mantidos, a relação entre “ganho e perda” é muito parecida.

Agora, vamos brincar e mudar a posição da média para “ganhar osso” e manter o desvio-padrão, trabalhando com média -1,0 mm e desvio-padrão 1,0 mm (-1,0 mm ± 1,0 mm). Ainda vamos considerar que os dados possuam uma distribuição normal e teremos a imagem abaixo:

 

Observe que a área correspondente ao “ganhar osso” (em verde) é muito maior do que a área correspondente ao “perder osso” (em vermelho). Ou seja, a “chance” de ganhar osso é de 84% e a “chance” de “perder osso” é de 16%.

Neste grupo de pacientes, com todos os outros fatores mantidos, a chance de ganhar osso (ou não sofrer tanta perda assim) é evidente.

Um excelente feriado para todos!

 

Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

 


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