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Publicado em: 5/2/2019 63h4

Simplificando a estatística da perda óssea: o intervalo de confiança 95% – parte 2

Paulo Rossetti ressalta a importância da precisão da amostra e o limite de confiança.

Na primeira parte deste artigo, abordamos formas com as quais o clínico pode usar (finalmente) a estatística básica para interpretar a remodelação óssea peri-implantar.

Agora, trazemos informações sobre a terceira ferramenta que o clínico precisa entender – o intervalo de confiança.
 

Intervalo de confiança = precisão da sua amostra

Vamos pensar que dois amigos estão fazendo um estudo em lugares diferentes, com o mesmo tipo de implante, e usando os mesmos protocolos cirúrgicos e critérios para escolha dos pacientes. Cada amigo tem 20 pacientes.

Eles medem a perda óssea (em milímetros) e resolvem colocar os dados na tabela abaixo. Lembrando, mais uma vez, que estes dados se encontram dentro da normalidade:


Na primeira parte da tabela (média e desvio-padrão), podemos interpretar:

  • No Dados 1, a “chance” dos dados ficarem entre -0,045 mm e 1,035 mm é de 68%;
  • No Dados 2, a “chance” dos dados ficarem entre -0,883 mm e -0,597 mm é de 68%.

Ok, os amigos poderiam repetir isso várias vezes até o final de suas carreiras e obterem médias variadas. Então, precisamos estabelecer um “limite de segurança”, dentro do qual poderíamos dizer que estaríamos 95% certos, mesmo repetindo os testes infinitas vezes: este “limite” gera o intervalo de confiança.

Na situação Dados 1, o intervalo de confiança vai de 0,242 mm até 0,748 mm.

Na situação Dados 2, o intervalo de confiança vai de -0,80 mm a -0,67 mm.

Repare que o intervalo de confiança Dados 1 tem 0,506 mm de comprimento e o intervalo de confiança Dados 2 tem 0,13 mm de comprimento.

Quanto mais fechado o intervalo, maior a precisão da amostra. Neste caso, Dados 2 é quase quatro vezes mais fechado que Dados 1.

E, mais uma vez:

  • Tudo que estiver em verde está “ganhando osso”;
  • Tudo que estiver em vermelho está “perdendo osso”.
     

Que tal desafiar a sua mente?

Observe a imagem abaixo. Você consegue ler os intervalos de confiança (em amarelo e azul) sem uma “lente de aumento” ou ampliar a tela em 300%? Acredito que não.

Aproveite para comparar o tamanho da sonda exploradora (aqui ampliado em 36 vezes!) com os tamanhos dos intervalos de confiança.


Realmente, não é fácil entender a perda óssea em toda a sua magnitude, mas saber como interpretar a média, o desvio-padrão, e o intervalo de confiança facilitará muito a leitura dos artigos.

Um forte abraço,

 

Paulo Rossetti

Editor científico de Implantodontia da ImplantNewsPerio

 


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