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Publicado em: 10/19/2012 61h6

Terapia de peri-implantite: uma revisão sistemática

Análise crítica do artigo originalmente publicado no Journal of Clinical Periodontology.

A cada edição da revista PerioNews, a equipe do Prof. Antonio Wilson Sallum promove a análise crítica de alguns dos artigos científicos de maior destaque publicados em periódicos de circulação internacional. Eles é um deles. Confira!

Kotsovilis S, Karoussis IK, Trianti M, Fourmousis I. Therapy of peri-implantitis: a systematic review. J Clin Periodontol 2008;35:621-9.

Por que é interessante: não existe um protocolo que seja unanimemente aceito para o tratamento da peri-implantite. Esta revisão sistemática avaliou cientificamente a eficácia das modalidades terapêuticas disponíveis para tratamento dessa doença.

Desenho experimental: foram pesquisados estudos clínicos randomizados e controlados, ou de comparação de técnicas, publicados somente em inglês e indexados até julho de 2007 em duas
bases de dados (PubMed e The Cochrane Library). Os critérios de inclusão foram: estudos clínicos randomizados e controlados ou estudos clínicos comparativos de técnicas; terapia para tratamento da peri-implantite; presença de pelo menos cinco pacientes em cada grupo; período de acompanhamento mínimo de seis meses. Dos 1.304 títulos encontrados durante a pesquisa, cinco artigoscumpriram as metas pré-estabelecidas nos critérios de inclusão e de exclusão, e foram incluídos nos resultados. Devido à grande heterogeneidade dos estudos, principalmente quanto às terapias utilizadas, não houve possibilidade da realização de uma metanálise.

Os achados: os resultados mostraram que o debridamento mecânico não cirúrgico com curetas de Tefl on ou com ultrassom não foram sufi cientes para a descontaminação de implantes com profundidade de sondagem (PS) ≥ 5 mm ou com exposição de roscas. O uso do laser Er:YAG parece melhorar os parâmetros clínicos a curto prazo quando associado a outra terapia. A utilização de clorexidina 0,2% como agente antisséptico coadjuvante ao debridamento não cirúrgico parece não ter benefícios em OS < 4 mm, mas parece proporcionar um efeito adicional em OS > 5 mm. A utilização de minociclina como antibiótico local coadjuvante à terapia não cirúrgica trouxe maior benefício clínico do que a associação da clorexidina como antisséptico em 12 meses de acompanhamento. O uso de hidroxiapatita nanocristalina e de regeneração óssea
guiada associado ao acesso cirúrgico para debridamento mecânico teve melhores resultados quanto à redução da PS e ao ganho de inserção clínica quando comparado somente ao acesso para debridamento.

Comentários: ainda não é possível estabelecer um protocolo padrão-ouro para o tratamento da peri-implantite. Porém, pelos dados desta revisão sistemática, pôde-se concluir que o debridamento não cirúrgico como monoterapia não é suficiente para remoção dos depósitos bacterianos em OS ≥ 5 mm, e que existe a necessidade de estudos que avaliem por períodos maiores a eficácia do Er:YAG e o uso de outros antibióticos locais como coadjuvantes na terapia da peri-implantite. A utilização de substitutos ósseos ou de regeneração óssea guiada parece ser promissora na melhoria de padrões clínicos peri-implantares.

Unitermos: Laser; Mechanical debridement; Peri-implantitis; Randomized controlled clinical trial; Therapy.

Revisado por: Mirella Lindoso Gomes Campos. Doutoranda em Periodontia - FOP-Unicamp.



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