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Publicado em: 04/09/2013 16h02

Biomateriais não metálicos na Implantodontia: o céu é o limite?

Paulo Rossetti dá dicas de como se deve avaliar os novos biomateriais que chegam ao mercado.

Na semana passada, recebi um pedido de opinião sobre determinado biomaterial que eu não tinha tomado contato. O Brasil é um dos mercados que mais cresce nesta área (veja a entrevista recente que o Prof. Dr. José Mauro Granjeiro e seus colegas do Inmetro-RJ concederam gentilmente à revista ImplantNews). Não sou tão conhecedor quanto os que militam na área, mas fiquei pensando: no lugar do clínico, qual seria a minha abordagem para que os primeiros resultados não fossem desastrosos?

Ninguém está testando nada que não foi aprovado pela Anvisa, obviamente, e como cirurgião-dentista eu torço para que funcione. Provavelmente, o leitor já utilizou diversos tipos de biomateriais e tem suas preferências. Assim, vamos considerar alguns aspectos clínicos comparativos no curto e médio prazo:

1. Extensão e local do defeito: defeitos com maior número de paredes são mais propícios para regeneração. Áreas posteriores envolvem menor risco estético. À medida que os resultados forem vistos, avance.

2. Capacidade de manipulação: por exemplo, você consegue facilmente misturá-lo ao soro fisiológico, manipulá-lo em um pote de vidro e compactá-lo no local do defeito? Os passos descritos na bula são suficientes para você obter o resultado desejado?

3. Consolidação: qual a sensação táctil no material consolidado, por exemplo, se você precisar fazer a osteotomia e colocar implantes? O tempo de reabertura é sempre o mesmo para todos os biomateriais? A qualidade do material se assemelha à qual tipo de osso (I ao IV)? Você observa o material "soltar fácil" durante a osteotomia?

4. Efeitos nos tecidos moles: a inflamação tecidual ou edema no período de cicatrização (quando observada) é clinicamente tolerável e/ou passível com o uso dos medicamentos apropriados? Existem partículas do biomaterial nos tecidos moles? A coloração final da gengiva está muito diferente?

5. Capacidade de regeneração: você buscou em altura ou em espessura? Para qual aspecto funcionou melhor?

6. Radiopacidade do material: você consegue distingui-lo em uma radiografia de controle? Após a consolidação, a imagem lembra o osso vizinho? A imagem na radiografia corresponde à sua sensação táctil na osteotomia?

7. Relação custo-benefício: será que a tecnologia embutida (e os resultados) valeram os custos?

Mais um detalhe que não podemos esquecer: mesmo com todas as garantias e boas práticas de fabricação, quem dá a palavra final é o organismo do nosso paciente.

Boa semana!

Paulo Rossetti é editor-científico da revista ImplantNews. Cirurgião-dentista, mestre e doutor em Reabilitação Oral - FOB/USP; Membro ITI (International Team for Oral Implantology).



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