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Publicado em: 19/11/2013 15h06

Dr. Googledent

Paulo Rossetti fala sobre a relação entre a praticidade da era digital e a anamnese do paciente.

"É axiomático... no exame, só se vê aquilo que se entende."
Goldman & Cohen, Periodontal Therapy, 1973.

Definitivamente, o corpo fala. Tanto é que dois pesquisadores escreveram um livro muito famoso sobre o assunto. Também, um dos meus professores de semiologia dizia que o exame do paciente começa pelo modo como ele caminha ao entrar no consultório.

A polêmica sobre cobrar ou não a consulta odontológica inicial é forte. Não se conhece um paciente em cinco minutos. Nem todas as fichas de anamnese são iguais e algumas levam até 40 minutos para serem preenchidas. Mesmo que 32 dentes possuam 96 faces facilmente visíveis, uma restauração em resina composta pode ser confundida com uma parte íntegra da estrutura dentária, um terceiro molar não irrompido pode estar impactando a superficial distal de um segundo molar, e mesmo aquela restauração de amálgama que você fez com tanto carinho pode estar comprometida por uma cárie silenciosa.

No mercado de prestação de serviços, você e seus pares já competem indiretamente no mundo digital. Existem sites onde é possível marcar quantas "estrelinhas" cada colega merece. Bem, vamos lembrar: entre o "bom dia" e o "até logo", algumas estrelas nascem e outras morrem.

Como este é um processo sem volta, não vai demorar muito para que a tal ficha de consulta seja colocada à disposição. O paciente vai preenchê-la confortavelmente, em casa, e mandar através de e-mail. Quando você abrir no seu computador, vai poder decidir se o atende ou não.

É claro, surgirão afirmações como esta, questionando o valor da consulta: "Doutor, as respostas que eu dei sobre a minha vida valem muito mais que a taxa de manutenção do seu site". Entretanto, ainda não existe um programa que determine a especificidade e a complexidade do caso. Instrumentos como a sonda exploradora/periodontal, a radiografia, e os exames laboratoriais estão longe da aposentadoria. Detalhe: tudo isto é presencial, leva tempo, e sim, possui custos.

A sua cabeça ainda é o melhor computador? Então, preserve-a.

Um forte abraço.

Leitura sugerida: Weil P, Tompakow. O corpo fala. Editora Vozes, 65ª edição, 2001.

Paulo Rossetti é editor-científico da revista ImplantNews. Cirurgião-dentista, mestre e doutor em Reabilitação Oral - FOB/USP; Membro ITI (International Team for Oral Implantology).



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