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Publicado em: 21/10/2016 14h40

Conclusões sobre peri-implantite no Abross 2016

O que vai mudar no tratamento do terror dos cirurgiões-dentistas?

No último sábado, dia 15/10, encerrou-se mais uma edição do congresso da Abross (Associação Brasileira de Osseointegração), que acontece a cada dois anos. Foram quatro dias de intensas discussões sobre os mais variados temas dentro do universo da Implantodontia, com palestrantes nacionais e internacionais. Tive o privilégio de participar do módulo de peri-implantite com os professores Andrea Mombelli, Jamil Shibli e Marcio Casati onde debatemos questões relevantes a este tema tão polêmico.

 Jamil Shibli, Andrea Mombelli, Marco Bianchini e Marcio Casati. 

Resumidamente, concluímos que existe ainda certa “disputa” entre o modelo periodontal e o modelo de reação a corpo estranho, no que diz respeito ao entendimento da peri-implantite. Claramente, observa-se uma corrente de pesquisadores que consideram a peri-implantite muito semelhante às doenças periodontais, focando na atuação do biofilme, e outra que considera a mesma como uma alteração provocada por iatrogenias ou por desequilíbrios sistêmicos, oriundos do paciente, que desencadeariam uma atividade maior dos osteoclastos, provocando a reabsorção óssea.

Independente do modelo que iremos nos inclinar, a peri-implantite é uma realidade em nossas clínicas e precisa ser prevenida e tratada. A melhor maneira de se prevenir é seguir os corretos protocolos de utilização dos implantes osseointegrados e das próteses implantossuportadas. Inicialmente devemos utilizar implantes de boa procedência e que mostrem pesquisas com resultados satisfatórios de longo prazo. Também, devemos controlar nossos pacientes contraindicando implantes em indivíduos que tenham doenças sistêmicas ou hábitos que possam aumentar o risco a perdas ósseas progressivas. Citam-se aqui fumantes pesados e diabéticos descompensados.

Outra forma de prevenção é realizar os tratamentos conforme aprendemos nos cursos de formação que realizamos. Qualquer escola de Implantodontia ensina ostensivamente que o planejamento reverso, com montagem em articulador e enceramento prévio, costuma dar muito certo, evitando que os implantes sejam colocados em posições proteticamente desfavoráveis. É fácil entender: engenhocas protéticas, para compensar implantes mal posicionados, geram dificuldade de controle de biofilme por parte dos pacientes, o que resulta em bactérias e perdas ósseas progressivas.

Uma vez instaladas, as alterações peri-implantares precisam ser tratadas. Como a maioria esmagadora dos casos acaba se resumindo em acúmulo de biofilme, o tratamento básico é a remoção do mesmo, ou seja: limpar, limpar e limpar mais as nossas reabilitações implantossuportadas. Em suma, o tratamento vai focar em adotar medidas de combate à infecção. Para isso, poderemos lançar mão de terapias cirúrgicas (abrir o retalho para limpar) e não cirúrgicas. Muito embora a literatura nos mostre que a mucosite deve ser tratada com procedimentos conservadores e não cirúrgicos e que a peri-implantite deve ser tratada com cirurgia, a nossa escolha vai depender das nossas habilidades e dos resultados que obtemos com mais frequência.

As perdas ósseas progressivas peri-implantares, também denominadas de peri-implantite, são alterações que fogem ao padrão de normalidade do comportamento biológico dos implantes. Parece bastante razoável que, se controlarmos todos os fatores e indicadores de risco, tanto dos pacientes como dos profissionais que realizam os implantes, estas perdas tendem a atingir níveis bastante reduzidos, inferiores a 5% dos casos. Contudo, quem consegue controlar tudo isso? Quem consegue impedir o ser humano de cometer equívocos? Assim, saber conviver com o problema, tentar preveni-lo e tratá-lo ainda é o único caminho.

 

“Uma árvore tem esperança: mesmo que a cortem, ela volta a brotar e seus ramos continuam a crescer. Embora suas raízes envelheçam na terra e seu tronco esteja amortecido no solo, ao cheiro da água ela solta brotos e produz folhagem como planta nova. O homem, porém morre e fica inerte. Para onde vai o homem quando expira?” Jó 14, 7-10.

 
   

Marco Bianchini

Professor Adjunto III do Departamento de Odontologia da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (disciplinas de Periodontia e Implantodontia); Coordenador do curso de Especialização em Implantodontia da UFSC; Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 



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