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Publicado em: 04/11/2016 14h33

Perdas ósseas na região posterior de maxila

Marco Aurélio Bianchini avalia os fatores que podem levar a esse problema.

A região posterior de maxila é, na maioria dos casos, uma área onde geralmente encontramos um osso mais esponjoso, o qual é caracterizado como osso tipo IV por muitos autores. Além disso, foi classificado como pobre, possuir baixo potencial de travamento dos implantes e, por isso, com maior risco de perder a osseointegração.

Entretanto, algumas pesquisas estão demonstrando que este osso mais esponjoso não seria tão pobre assim: ao contrário, por ser bastante vascularizado, deveria ser abordado de maneira diferente dos ossos mais corticalizados.

Atualmente, muitos pesquisadores e clínicos até preferem trabalhar com osso mais esponjoso do que um muito cortical. Para estes estudiosos, basta respeitarmos as particularidades do mais esponjoso – usando um menor número de brocas e compactadores ósseos –, que teremos um altíssimo potencial de osseointegração, devido à intensa vascularização presente nestas áreas. Isso aumenta a presença de células ósseas com potencial de colonização sobre a superfície dos implantes, diferentemente do osso corticalizado que, embora tenha maior potencial de travamento, pode sofrer um processo de necrose indesejado, devido ao intenso atrito das brocas.

Embora a afirmação do parágrafo acima esteja na moda, ainda encontramos correntes contrárias na literatura, ou seja, que afirmam que na região posterior de maxila a associação da baixa densidade óssea com a alta carga mastigatória leva, invariavelmente, a maiores índices de perda óssea peri-implantar.

Se levarmos em consideração ainda alguns fatores locais (tipos de próteses, emergência do parafuso, diâmetro da plataforma e angulação do pilar protético), estas perdas podem atingir níveis bastante alarmantes, especialmente se estiverem associadas à presença nociva de bactérias.

Aqui na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estamos concluindo um interessante estudo cujo objetivo foi avaliar se os fatores locais citados acima podem contribuir no desenvolvimento de peri-implantite ou de uma perda óssea adicional na região posterior da maxila. A conclusão foi de que próteses totais sobre implantes instalados em região posterior de maxila apresentaram taxas mais elevadas de perda óssea adicional e de peri-implantite. Não foram encontradas diferenças com relação à emergência do parafuso, ao diâmetro da plataforma dos implantes e à angulação dos pilares protético no desenvolvimento da perda óssea adicional ou de peri-implantite.

Um dos maiores problemas que enfrentamos na atualidade, quando analisamos os dados dos estudos relativos à peri-implantite, é a falta de homogeneidade das amostras. A maioria dos estudos não separa ou nem mesmo explicita em qual região da boca os implantes estudados foram colocados. Assim, um fator local bastante importante fica negligenciado. Os estudos mais confiáveis, geralmente, identificam estas áreas e, na maioria deles, creditam maior incidência de perdas ósseas peri-implantares na região posterior da maxila.

Desta forma, podemos concluir que existe sim algo de diferente na região posterior da maxila. Talvez uma associação de fatores como: osso de baixa densidade, alta carga mastigatória, tipo de prótese, dificuldade de higiene etc. possam resultar em perdas ósseas progressivas degenerativas que, em um médio prazo, podem levar à perda do implante. Talvez também tudo isso venha a cair por terra com novas tecnologias e abordagens diferentes ao tecido ósseo. Enquanto isso não acontece, o caminho mais seguro é tentar controlar estes fatores, acompanhando de perto os pacientes que tenham implantes na região posterior da maxila.
 

“Ele lhes disse: Também vós não entendeis? Não compreendeis que nada que de fora entra na pessoa a torna impura, porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, e vai para fossa? Assim ele declarava puro todo o alimento. E acrescentou: O que sai da pessoa é que a torna impura. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções.” Marcos: 7, 18-20.

 

 
   

Marco Bianchini

Professor adjunto IV do departamento de Odontologia (disciplinas de Periodontia e Implantodontia) e coordenador do curso de especialização em Implantodontia - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 
 
 


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