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Publicado em: 10/11/2016 10h53

Técnicas atraumáticas na região posterior da maxila

Marco Bianchini cita os principais pontos na técnica de colocação de implantes nesta região e o uso do levantamento atraumático do seio maxilar.

Na semana passada conversamos sobre a possibilidade de falhas quando colocamos implantes na região posterior da maxila. Hoje, iremos abordar a técnica de colocação de implantes nesta região e o uso do levantamento atraumático do seio maxilar. Apesar de já ser uma técnica consagrada, este tópico merece considerações peculiares, para evitarmos problemas quando realizamos estes procedimentos.

Ao planejarmos um tratamento de reabilitação oral com implantes dentários na região posterior da maxila, e sabendo da presença do seio maxilar, precisamos ter alguns cuidados para diminuir o risco de possíveis intercorrências durante a cirurgia e oferecer ao paciente um tratamento previsível.

Em situações nas quais há uma altura óssea maior de 4 mm, o levantamento de seio atraumático aparece como uma boa alternativa. Esta técnica de levantamento do seio maxilar proposta por Summers, em 1994, menos invasiva do que a de janela lateral, hoje é uma opção de tratamento consolidada na literatura. Calin, Petre e Drafta (2014), em uma revisão sistemática, concluíram que na presença de altura óssea acima ou igual a 4 mm, a taxa de sucesso/falha dos implantes não seria influenciada.

As Figuras 1 a 4 ilustram esta técnica através de um caso clínico executado no Cepid – Centro de ensino e pesquisas de implantes dentários da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizado pelos mestrandos em Implantodontia: Edwin Ruales Carrera e Patrícia Pauletto.

No exame tomográfico solicitado, percebemos uma altura óssea na região do seio maxilar de 7 mm. Diante disso, decidimos por uma abordagem de levantamento de seio atraumático na região de menor altura óssea e a instalação de implantes cone-morse cônicos de 7 mm (Implacil de Bortoli).

O implante da região do dente 25 foi instalado de forma convencional, seguindo as recomendações do fabricante. Já na região do dente 26, a sequência de fresagem chegou dois milímetros abaixo da altura óssea total. Logo após, foram utilizados sequencialmente os osteótomos de Summers, fraturando a cortical do seio maxilar e elevando a membrana de Schneider. Esta última etapa poderia ser executada sem prejuízo na técnica com escareadores, disponibilizados pelo mesmo sistema de implantes. Uma vez elevada a membrana, prosseguiu-se a instalação do implante de forma convencional. Ambos os implantes foram instalados 2 mm abaixo da crista óssea e foram colocados cicatrizadores, visando evitar uma segunda etapa cirúrgica (Figuras 1 e 2).

 

Figura 1 – Radiografia pós-cirúrgica da região dos dentes 25 e 26. Observar a presença dos cicatrizadores e a inserção do
implante 26 no seio maxilar, através da elevação da membrana do mesmo.

 
Figura 2 – Aspecto clínico da região após cinco meses com cicatrizadores. Observar a saúde dos tecidos moles peri-implantares.

 

Aguardado o tempo de osseointegração, foram confeccionadas próteses metalocerâmicas unitárias. Devido ao espaço interoclusal reduzido, a altura da coroa do dente 26 ficou levemente diminuída, sem trazer prejuízos estéticos ou funcionais ao paciente (Figuras 3 e 4).
 

Figura 3 – Aspecto clínico final. Observar as coroas de porcelana instaladas sobre os implantes 25 e 26.

Figura 4 – Aspecto radiográfico final. Observar o contorno ósseo peri-implantar com aspecto saudável em ambas as fixações.


A Odontologia nos permite, muitas vezes, amplas possibilidades. Outra abordagem para a resolução deste caso seria a utilização de implantes curtos, os quais têm demonstrado resultados semelhantes aos implantes de comprimento convencional. Embora estas situações estejam sendo mostradas há muitos anos na Implantodontia, sempre é bom lembrar que existem limitações e que não podemos empregá-las em todas as situações. Vale lembrar também que a qualidade óssea desta região é mais vascularizada e delgada, exigindo abordagens menos traumáticas.

Colaboraram: Edwin Ruales Carrera e Patrícia Pauletto, mestrandos em Implantodontia na Universidade Federal de Santa Catarina.

 

‘‘Faze-me saber os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia. Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das tuas benignidades, porque são desde a eternidade. Não te lembres dos pecados da minha mocidade, nem das minhas transgressões; mas segundo a tua misericórdia, lembra-te de mim, por tua bondade, Senhor.’’ Salmos 25:4-7.

 

 
   

Marco Bianchini

Professor adjunto IV do departamento de Odontologia (disciplinas de Periodontia e Implantodontia) e coordenador do curso de especialização em Implantodontia - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 
 
 


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