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Publicado em: 16/12/2016 15h46

A importância das limpezas de final de ano

Marco Bianchini comenta o movimentado período que antecede o Natal e o réveillon nos consultórios.

Todo final de ano é a mesma coisa na maioria dos consultórios e clínicas odontológicas por esse Brasil afora: os pacientes decidem fazer o que eles chamam de “limpeza” para entrar no ano novo sem problemas bucais. Da mesma forma, eles também fazem os seus check-ups médicos. Isto vira uma febre nas últimas semanas de dezembro.

O grande problema desse hábito, quase cultural, é o profissional explicar ao paciente o que representa essa visita ao dentista, o que se realiza neste momento e quanto vale em dinheiro este procedimento. Assim, quando todos estes pontos estiverem esclarecidos, ficará bem mais fácil respondermos aquela outra famosa pergunta que alguns amigos nos fazem em rodas sociais: quanto você cobra por uma limpeza?

Já abordei este assunto em outras oportunidades aqui neste espaço. De certa forma, é um tema que me irrita um pouco, pois os grandes culpados pela desvalorização dessas consultas de final de ano somos nós mesmos: os dentistas. As denominações para este procedimento são várias: limpeza, profilaxia, check-up, revisão. Para um dentista que se preze, essa avaliação inclui um exame clínico consistente, uma remoção de biofilme e/ou cálculo supra e subgengival, remoção de fatores retentivos de placa, eliminação de manchas, além de um polimento e recomendações finais.

A responsabilidade em liberar o paciente e dizer a ele que está tudo bem é bastante grande, especialmente se fizermos isso sem um exame radiográfico. Obviamente, muitos desses pacientes estão conosco há muitos anos e com radiografias atualizadas. Assim, não há necessidade de se requisitar um novo exame de imagem. Entretanto, se o paciente não possui estes exames recentes, fica muito complicado e arriscado dizer a ele que está tudo bem.

Mas, voltando ao procedimento da “limpeza” propriamente dita, a realização dessa terapia demanda certo tempo de cadeira. Realizar todos os itens que elencamos nos parágrafos anteriores em menos de 40 minutos é uma tarefa de mágico. Examinar, remover placa e cálculo, polir, instruir e ainda utilizar as curetas manuais de raspagens, que promovem um melhor alisamento das superfícies dentárias, não é tarefa para 20 minutos, principalmente se levarmos em consideração que os pacientes aparecem em condições diferentes uns dos outros. Alguns com muita placa, outros com muito cálculo, outros ainda com placa quase zero, e assim por diante.

Desta forma, dentro desse universo das profilaxias, as situações clínicas irão variar e teremos que montar um padrão que abranja a maioria dos nossos clientes. Além disso, somente após uma boa “limpeza” é que conseguiremos realizar um exame clínico adequado, pois as estruturas a serem avaliadas estarão bem mais acessíveis sem a presença do biofilme.

Eu, como periodontista, costumo valorizar muito esses procedimentos. Na verdade, nós, periodontistas, chamamos isso de consulta de manutenção ou terapia de suporte. Não consigo realizá-la mecanicamente, sem individualizar os casos, e não deixo que as minhas colaboradoras e os meus pacientes fiquem chamando-a de “limpezinha”, pois o que estamos realizando vai diminuir a chance do paciente ter maiores problemas no futuro. Em se tratando de pacientes com implantes, então, a nossa responsabilidade aumenta ainda mais no momento em que evitamos que o biofilme, um dos fortes indicadores de risco para a peri-implantite, mantenha-se em quantidades deletérias. Entendido tudo isso, talvez muitos dos nossos clientes – sejam eles novos ou antigos – irão compreender por que o valor cobrado por essa “limpeza” pode variar de paciente para paciente e entre os profissionais.

Quem tem pacientes fiéis há mais de 20 anos, como felizmente acontece comigo e com muitos dentistas, sabe o quanto é importante liberar um paciente saudável para que ele possa desfrutar das celebrações de final de ano com a sua saúde bucal estável. Manter os pacientes sem problemas bucais por muitos anos é o nosso maior objetivo, e isso só ocorrerá com um adequado controle de biofilme e os seus efeitos, através dessas consultas de manutenção.

Essas consultas incluem a nossa famigerada “limpezinha de final de ano”, mas é preciso que os clientes percebam que nós não estamos fazendo somente a remoção da placa, mas trabalhando para que não ocorra nenhum outro processo de maior gravidade, e é exatamente por isto que o cliente está pagando. Ele paga pelo conjunto da obra dessa consulta, e não somente pela limpeza. Acredito que, se esclarecermos bem tudo isso e realizarmos uma consulta que realmente limpe os dentes, os clientes irão entender por que nós cobramos bem mais do que o dentista da sua rua.
 

“Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; indica-me o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma.” (Salmos 143, 8)

 

 
   

Marco Bianchini

Professor adjunto IV do departamento de Odontologia (disciplinas de Periodontia e Implantodontia) e coordenador do curso de especialização em Implantodontia - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 



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