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Publicado em: 20/01/2017 11h36

Perdas ósseas tardias e progressivas

Para Marco Bianchini, acompanhamento radiográfico das alterações ósseas peri-implantares deve ser analisado com cautela.

A perda óssea tardia pode ser entendida como uma perda gradual do osso marginal após a osseointegração. Diferentes níveis de perda óssea têm sido relatados como aceitáveis ao longo das últimas décadas. Estudos clássicos1 relataram que uma perda óssea de 0,2 mm anualmente, após o primeiro ano, poderia ser considerada como um fator de sucesso. Já uma perda óssea < 2,4 mm seria aceitável durante os primeiros cinco anos em função. Contudo, com o passar dos anos, estes valores de perda óssea começaram a ser questionados.

Estes achados despertaram em muitos autores uma conta matemática simples: se perder 0,2 mm de osso anualmente é normal, um implante de 8 mm de comprimento, que fique na boca durante 20 anos, vai perder metade do seu suporte ósseo (4 mm). Isto poderia ser considerado normal?

Foi baseado nisso que alguns grupos de pesquisadores chegaram à conclusão de que a perda óssea mais deletéria para um implante seria a perda óssea progressiva, e não a tardia. Assim, o problema peri-implantar poderia mesmo ser considerado grave se a perda óssea fosse contínua ao longo dos anos.

Um estudo interessante que abordou esta linha de raciocínio foi publicado2. Nele, os autores utilizaram um limite para a perda óssea progressiva na posição da terceira rosca ou apical a ela (cerca de 3 mm apicalmente à junção pilar/plataforma do implante), após cinco a 20 anos na função.

Dentro desse contexto, é importante avaliar a taxa de progressão da perda óssea marginal e o comprimento do implante, para que este permaneça em função durante a vida do paciente. Perder 5 mm de osso para um implante de 15 mm de comprimento pode não ser tão grave. Contudo, esta mesma perda de 5 mm pode ser um problema, se o implante tiver um comprimento de 10 mm. As Figuras 1 a 4 ilustram uma perda óssea progressiva.
 

Figura 1 Figura 2


A Figura 1 ilustra o acompanhamento radiográfico após um ano, enquanto a Figura 2 demonstra o controle de dois anos. Observe que o implante 45 encontra-se estável, enquanto o implante 46 tem uma perda óssea progressiva.
 

Figura 3 Figura 4


A Figura 3 mostra o acompanhamento radiográfico de três anos, e a Figura 4 o controle de cinco anos. Observe que nos três primeiros anos (Figuras 1 a 3) a perda óssea foi mais intensa, mas após o terceiro ano houve estabilização da perda óssea progressiva no implante 46, comprovada pelo controle de cinco anos (Figura 4).

Na verdade, o acompanhamento radiográfico das alterações ósseas peri-implantares deve ser analisado com cautela, já que o padrão de perda óssea varia entre indivíduos. Além disso, sabe-se que as razões para o aparecimento de uma peri-implantite verdadeira são muitas. Não é qualquer perda óssea que pode ser considerada uma doença. Desse modo, tanto a remodelação óssea após a exposição do implante ao meio oral quanto à perda óssea tardia devem ser avaliadas individualmente, levando-se em consideração os aspectos locais e sistêmicos do paciente envolvido, para que seja realizado um diagnóstico correto.

Em se tratando de perdas ósseas, sejam elas tardias ou progressivas, uma comparação interessante pode ser feita com os nossos dentes naturais. À medida que vamos envelhecendo, o padrão ósseo ao redor dos nossos dentes também se altera, e nem sempre isso pode ser considerado uma doença. Assim, também os implantes que sofrem alguma perda óssea peri-implantar não necessariamente apresentam alguma desordem que mereça tratamento.

 

“A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se veem. Por ela, os antigos alcançaram o testemunho de Deus. Pela fé, entendemos que o universo foi criado pela palavra de Deus; de maneira que as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê.” (Hebreus 11:1-3)

 

Referências

1.         Albrektsson T, Isidor F. Consensus report of session IV. In: Lang NP, Karring T. Eds. Proceedings of the 1st European Workshop on Periodontology. London, England: Quintessence, 1994. p.365-9.

2.         Fransson C, Lekholm U, Jemt T, Berglundh T. Prevalence of subjects with progressive bone loss at implants. Clinical Oral Implant Research 2005;16:440-6.

 

 
   

Marco Bianchini

Professor adjunto IV do departamento de Odontologia (disciplinas de Periodontia e Implantodontia) e coordenador do curso de especialização em Implantodontia - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 



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