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Publicado em: 27/01/2017 12h30

O papel dos osteócitos na Osseointegração

Marco Bianchini mostra que o sucesso dos implantes depende diretamente das células ósseas.

Falar de células ósseas em uma coluna que geralmente aborda textos clínicos não é muito simples. Contudo, o que fazemos na clínica sempre é reflexo do comportamento celular, principalmente se tratando de osso e osseointegração. Assim, é imprescindível que, ocasionalmente, reservemos algum tempo dos nossos interesses pelas células do tecido ósseo, mais especificamente os osteócitos, que estão na moda atualmente.

Para entender os osteócitos, precisamos revisar o tecido ósseo, que é muito dinâmico. Seu tamanho, forma e propriedades materiais envolvem reorganização e reconstrução constantes ao longo da vida. Sua integridade depende dos seus processos de remodelação diante das cargas a que é submetido. Sendo assim, a manutenção da saúde óssea é essencial para a manutenção da vida como um todo.

A remodelação óssea compreende o processo onde o tecido ósseo é renovado para manutenção de sua força e equilíbrio mineral, por meio da reabsorção de osso velho e consecutiva neoformação óssea, prevenindo o acúmulo de microfraturas. Esses conceitos básicos são repetidamente falados em congressos e mostrados em pesquisas científicas.

A remodelação óssea se dá pela ação conjunta de osteoblastos e osteoclastos, onde há reabsorção óssea mediada por osteoclastos, seguida de uma fase de formação óssea dirigida por osteoblastos. Embora avanços tenham sido obtidos na identificação de mecanismos envolvidos na diferenciação e atividade de osteoblastos e osteoclastos, a ativação destas células e a iniciação da remodelação óssea ainda é tema controverso. É justamente neste momento que as empresas oportunamente nos apresentam produtos que, supostamente, teriam um maior poder de remodelação óssea, melhorando a osseointegração.

Derivados de células osteoprogenitoras, os osteócitos nada mais são que osteoblastos modificados. Embora os mecanismos que levam um osteoblasto a se diferenciar em osteócito não tenham sido elucidados, existem diferenças marcantes nas expressões gênicas destas células em sua diferenciação, desde a fase pré-osteoblástica até a formação do osteócito maduro. Estudos recentes colocam estes osteócitos como os grandes maestros da remodelação óssea.

Sabemos que o sucesso dos implantes está diretamente relacionado ao princípio da osseointegração. A criação e manutenção deste fenômeno dependem do entendimento do reparo do tecido ósseo e de sua capacidade de remodelação. Sendo assim, o sucesso dos implantes envolve a atividade contínua de remodelação, evitando microfraturas ou repondo osso microfraturado, e isto está diretamente ligado à presença dos osteócitos.

O tecido ósseo peri-implantar necessita de um tempo para remodelar até que se obtenha um melhor alinhamento para suporte das cargas a que é submetido. Nesta fase, um número maior de osteócitos se faz necessário, devido ao seu papel essencial na remodelação e hemostasia óssea. Uma vez adaptado, o mesmo número de osteócitos não é mais necessário e tende a diminuir.

Assim, devemos entender que a presença de algumas células ósseas – como os osteócitos – pode variar de acordo com a época em que estamos avaliando o implante. Isto pode nos ajudar a entender melhor a biologia óssea peri-implantar, questionando os fabricantes quando nos apresentam estudos mais básicos. Afinal, o que realmente queremos é um implante que não perca osso ao longo do tempo, mas precisamos entender que isso depende diretamente das células ósseas em questão.


Colaborador: Dr. Luiz Fernando Gil


“Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor.” (Ezequiel 37:5,6)

 

 
   

Marco Bianchini

Professor adjunto IV do departamento de Odontologia (disciplinas de Periodontia e Implantodontia) e coordenador do curso de especialização em Implantodontia - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Autor do livro "O passo a passo cirúrgico em Implantodontia".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 

 

 



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