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Publicado em: 10/02/2017 14h12

Hexágono externo: por que tanta implicância?

Marco Bianchini observa que esse tipo de implante apresenta resultados positivos em longo prazo.

Na semana passada tivemos mais uma edição do Ciosp. Estive presente lá no Expo Center Norte durante dois dias (o que é pouco para o tamanho do evento), mas pude, nesse curto período, dar uma boa passada pelos estandes das empresas de implantes e ver se alguém estava trazendo alguma novidade ou ratificando alguma técnica consagrada, o que considero bem mais importante do que apresentar produtos novos. A minha percepção foi que, salvo algumas raríssimas exceções, a maioria dos fabricantes não mostra resultados de longo prazo.

O que ocorre é que, na ânsia de ganhar do concorrente, as empresas se preocupam muito mais em mostrar que estão inovando do que apresentar comprovações científicas de que os seus produtos tradicionais realmente funcionam no longo prazo e não precisam ser mudados. Infelizmente, poucas empresas fabricantes de implantes se preocupam em mostrar resultados de longo prazo. Criam “invenções” que poderiam plenamente ser substituídas por produtos que elas mesmas já fabricam. É realmente uma corrida atrás do próprio rabo.

Dentro desse contexto é que entram os hexágonos externos. Não sei por que tanta gente implica com os HE e insiste em dizer que eles não devem mais ser usados. Eu mesmo já caí neste conto de fadas e, durante algum tempo, acreditei mesmo que não usaríamos mais este tipo de conexão. Entretanto, com o passar dos anos e utilizando as novas conexões que vêm sendo apresentadas no mercado, pude perceber que, em muitas situações, o bom e velho HE resolve muito bem os nossos problemas com resultados positivos de longo prazo.

Quem faz implantes há mais de dez anos já está vendo e mantendo os seus casos mais antigos. Esses controles, que são imprescindíveis para a manutenção do sucesso ao longo dos anos, acabam demonstrando que os hexágonos externos continuam funcionando muito bem em um longo período de tempo. Assim, o clínico vai chamando os seus pacientes para controle e percebe que a maioria dos casos de hexágono externo ainda se comporta bem, tanto clínica como radiograficamente. As Figuras 1 a 3 ilustram um controle de dez anos de hexágonos externos.
 

Figura 1 – Controle radiográfico de dez anos de um protocolo inferior em carga imediata, utilizando implantes com plataforma tipo hexágono externo de 4.1. Observar o excelente padrão ósseo peri-implantar no raio X panorâmico.

 

Figura 2 – Controle radiográfico periapical de dez anos. Observar a ausência de reabsorções ósseas peri-implantares.

 

Figura 3 – Imagem clínica do controle de dez anos. Observar que, apesar da desarmonia oclusal provocada pelo desgaste das próteses, o aspecto clínico dos tecidos moles peri-implantares ainda é satisfatório.

 

O caso aqui apresentado é uma das indicações mais precisas para hexágonos externos: protocolo inferior com boa qualidade e quantidade óssea. Outras situações onde temos uma excelente disponibilidade óssea também podem ser plenamente resolvidas com os hexágonos externos, desde que sejam respeitados os protocolos de utilização (posição sempre supraóssea do hexágono e distância mínima entre os implantes). Assim, esta consagrada plataforma de implantes pode ainda resolver muitos dos nossos casos.

Na verdade, o bom senso, como regra geral, sempre nos leva a tomarmos decisões corretas. É óbvio que devemos estar atentos as modificações e inovações que a Implantodontia nos mostra, e utilizar de maneira criteriosa as novas plataformas que aparecem no mercado. Entretanto, mudar somente por modismos, sem a comprovação de resultados de sucesso ao longo dos anos, pode ser um curto caminho para o fracasso. Rechaçar desenhos de implantes que têm a maioria dos estudos comprovando a sua eficácia não parece ser muito inteligente.


“Feliz de ti, que temes o Senhor e andas nos seus caminhos. Comerás do trabalho das tuas mãos, serás feliz e tudo te correrá bem. Tua esposa será como videira fecunda no íntimo do teu lar; teus filhos serão como ramos de oliveira ao redor da tua mesa. Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.”
(Salmos 128, 1-4)

 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



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