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Publicado em: 17/02/2017 12h51

Hexágono externo: quando e como?

Marco Bianchini detalha caso clínico após dez anos e mostra que não devemos desprezar a indicação clássica do HE.

Na semana passada, eu escrevi sobre algumas indicações – que ainda são muito válidas – dos implantes de hexágono externo com plataforma tradicional de 4.1. Eu já sabia que o tema levantaria polêmicas e que eu iria receber algumas mensagens. Isto realmente aconteceu, mas a maioria das pessoas que me escreveu concordou com a minha abordagem. Entretanto, alguns não entenderam o caso clínico que foi postado e algumas críticas surgiram em função da desarmonia oclusal após dez anos de uso e o desgaste da prótese total superior. Vamos, então, demonstrar como o caso está nos dias atuais.
 

Figura 1 – Aspecto clínico de um protocolo inferior feito em carga imediata após dez anos (publicado na semana passada).

 

Passados dez anos, a paciente finalmente se convenceu de que deveria fazer um protocolo sobre implantes no arco superior também. Além disso, ela estava ciente de que também deveria fazer uma nova prótese inferior, pois seria impossível restabelecer as dimensões oclusais, estéticas e funcionais sem realizar uma reabilitação completa das duas arcadas.

Figura 2 – Corte panorâmico de tomografia volumétrica do cone-bean, executada após dez anos da instalação dos implantes inferiores. Observar a estabilidade do tecido ósseo peri-implantar.

 

Figura 3 – Cortes tomográficos transversais superiores.

 

Figura 4 – Cortes tomográficos transversais superiores.


As Figuras 3 e 4 demonstram que temos uma espessura relativamente reduzida de tecido ósseo disponível para a utilização dos hexágonos externos tradicionais. O caminho seria os enxertos ósseos em bloco ou a utilização de implantes com diâmetros reduzidos e regeneração óssea guiada na vestibular, onde provavelmente teríamos uma fenestração óssea com exposição precoce das roscas dos implantes.

O caminho escolhido por nós e pela paciente foi a segunda opção descrita acima. Utilizamos implantes tipo cone-morse com diâmetro de 3,5, que poderiam ser inseridos em uma posição mais intraóssea, evitando a lâmina de faca do rebordo remanescente. Isto fez com que aproveitássemos mais a área palatal (approach palatino), onde tínhamos maior espessura óssea e minimizaríamos as fenestrações.
 

Figura 5 – Radiografia panorâmica feita imediatamente após a instalação do protocolo superior em carga imediata e a nova prótese inferior.

 

Figuras 6 – Radiografias periapicais feitas logo após a instalação dos implantes. Observar a posição intraóssea dos implantes.

 

Figura 7 – Vista clínica das duas novas reabilitações instaladas em boca. Observar o restabelecimento das dimensões oclusais.

 

Figura 8 – Radiografias periapicais após dez meses de controle. Observar que já existe uma leve remodelação óssea na parte coronal de alguns implantes.



Não há dúvidas de que as novas plataformas de implantes, sejam elas denominadas switching ou cone-morse, vieram pra ficar. Contudo, não devemos desprezar a indicação clássica dos hexágonos externos, que continuarão a resolver muitos dos nossos problemas. Quando não der para utilizá-los, como foi o caso demonstrado aqui hoje, devemos partir para as plataformas alternativas. A história da Odontologia está aí para nos mostrar o quanto é perigoso desprezar técnicas consagradas. O imediatista na substituição de amálgamas por resinas pagou um preço alto por isso. Eu ainda tenho amálgamas na minha boca. Só vou trocar quando quebrarem!


“Jesus prosseguiu: por isso vos disse, ninguém pode vir a mim se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele. Então, Jesus perguntou aos doze: quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” (João 6, 65-68)

 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



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