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Publicado em: 10/03/2017 09h44

Preservação de implantes “doentes”

Remover ou tratar os implantes acometidos por peri-implantite? Marco Bianchini responde.

Atualmente, uma grande controvérsia que encontramos, tanto na literatura como na rotina clínica diária, é a remoção ou o tratamento de implantes acometidos por peri-implantite. Uma vez que a grande maioria dos casos de peri-implantite se dá devido à má colocação dos implantes, muitas vezes não resta outra opção ao clínico, senão a de remover o implante “doente” e partir para uma nova fixação. Contudo, esta opção pode demandar uma série de novos procedimentos que aumentam o tempo e a morbidade do tratamento.

Outro aspecto interessante é que a simples remoção – e a colocação de um novo implante – não impede que voltemos a ter uma alteração peri-implantar. Assim, muitas técnicas têm sido desenvolvidas para se tratar estas alterações peri-implantares, sejam elas iatrogênicas ou não. O objetivo é preservar todo o trabalho que já foi feito, mesmo que ele apresente algumas falhas. Embora a literatura ainda não nos ofereça a certeza de qual é a melhor técnica para o tratamento de uma peri-implantite, algumas terapias têm mostrado resultados interessantes.

Esta semana, aqui no Cepid (Centro de Ensino e Pesquisas em Implantes Dentários da Universidade Federal de Santa Catarina), realizamos um controle de cinco anos de uma paciente que teve a sua peri-implantite tratada por técnicas convencionais, que utilizamos no tratamento de periodontites que acometem os dentes naturais. O resultado está sendo muito interessante (Figuras 1 a 6).
 

Figura 1 – Sondagem dos elementos 22 e 23 reabilitados com implantes osseointegrados. Observar a alteração peri-implantar dos tecidos moles com sangramento.

 

Figura 2 – Radiografia periapical da região do 22 e 23. Observar que temos um implante com diâmetro de 3,3 HE (hexágono externo) no elemento 22 e outro, também HE com diâmetro de 4,1, no elemento 23. Mesmo com esta tentativa de obter a distância mínima entre os implantes, a proximidade dos mesmos parecia ser a causa das perdas ósseas peri-implantares. Como a remoção de toda a prótese e dos implantes seria muito traumática para o paciente, optamos por tratar cirurgicamente os implantes, apostando em uma readaptação dos tecidos após a descontaminação da área.

 

Figura 3 – Sutura final após a abertura de um retalho total, descontaminação mecânica e química das roscas dos implantes, e adaptação de um enxerto de conjuntivo na área.

 

Figura 4 – Controle pós-operatório de dois meses. Observar a melhora clínica dos tecidos moles peri-implantares.

 

Figura 5 – Controle clínico de cinco anos. Observar o aspecto sugestivo de normalidade dos tecidos moles peri-implantares.

 

Figura 6 – Radiografia periapical com controle de cinco anos. Observar que as perdas ósseas peri-implantares foram estabilizadas.


Apesar da literatura não ser conclusiva sobre os benefícios dos enxertos de tecido mole no tratamento da peri-implantite, é notório que a presença de um maior volume de mucosa ceratinizada aumenta a estabilidade marginal, melhorando o conforto mastigatório e a facilidade de higienização. No caso em questão, a descontaminação prévia das roscas dos implantes que perderam osso, associada a um enxerto de tecido conjuntivo, parece ter alcançado resultados satisfatórios.

Obviamente, a remoção destes implantes e a realização de enxertos ósseos prévios – com a colocação de novos implantes – poderiam ter oferecido um resultado final estético mais favorável. Porém, questões como tempo, custo e morbidade deste novo tratamento teriam sido bem maiores. Assim, ainda em muitas situações, poderemos optar pelo tratamento dos implantes acometidos por peri-implantite utilizando técnicas periodontais consagradas na literatura. Essas técnicas podem alcançar bons resultados, preservando os implantes “doentes” por mais algum tempo na boca.

 

“Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal. Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito.” (1 Pedro 3:17,18)

 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



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