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Publicado em: 14/04/2017 11h39

Aumento de coroa clínica ou exodontia e implantes?

Marco Bianchini detalha os procedimentos e recomenda análise e bom senso ao dentista.

O sucesso do tratamento restaurador de um dente segue os princípios básicos de preservação da estrutura dental, criando formas de retenção e resistência, durabilidade da restauração, integridade marginal (relação com a gengiva) e conservação do periodonto de sustentação (osso alveolar e ligamento). Dentes muito destruídos por lesões de cárie, fraturas, desgastes patológicos ou necessidades de revisão de preparo cavitário acabam interferindo em tais princípios.

A invasão da unidade dentogengival (distâncias biológicas) pelo término cervical promove inflamação e alterações anatômicas. A resposta a esta invasão foi analisada, em humanos, por pesquisas clínicas e histológicas. Após uma semana, observou-se uma recessão marginal, migrações apical e lateral do epitélio juncional, e ocorrência de reabsorção óssea. Falando na linguagem clínica do dia a dia, seria o mesmo que dizer que os preparos subgengivais inflamam a gengiva e provocam perdas ósseas nos dentes envolvidos.

O aumento de coroa clínica nada mais é do que uma osteotomia e osteoplastia seguida de uma gengivectomia ou do reposicionamento apical do retalho. O escopo primário da técnica é a obtenção de espaço biológico para viabilizar a reabilitação dentária. Essa técnica só deve ser considerada como opção terapêutica quando a raiz for suportada por periodonto saudável e a relação coroa/raiz for favorável após a cirurgia. Ou seja, após a realização do procedimento, é preciso que sobre um bom remanescente dental para ser restaurado. As Figuras 1 e 2 demonstram este conceito.
 

Figura 1 – Molares superiores com preparos subgengivais e provável invasão das distâncias biológicas.

 

Figura 2 – Aspecto dos molares superiores após 45 dias da cirurgia de aumento de coroa clínica e confecção de provisórios. Neste momento, a cicatrização final está praticamente concluída e os elementos dentais podem ser repreparados.

 

As Figuras 1 e 2 representam uma situação na qual foi possível aumentar o tamanho dos dentes, mantendo-se ainda uma bela porção intra-alveolar. Quando não conseguirmos esta “sobra” de dente sadio, devemos considerar a exodontia e a posterior substituição por implante osseointegrado como a melhor opção terapêutica. Isto geralmente acontece quando temos raízes remanescentes com suporte periodontal inadequado (curtas), problemas estéticos decorrentes da cirurgia ressectiva e risco de exposição de furca.

Infelizmente, não existe uma receita de bolo precisa para abandonarmos um aumento de coroa clínica e partirmos para o implante imediato, e vice-versa. É preciso ter muito bom senso e analisar as individualidades de cada dente, de cada caso e de cada paciente. Dentes fragilizados têm uma maior tendência a fraturar, mesmo depois de um aumento de coroa. Por outro lado, um implante imediato também pode simplesmente falhar e o cliente poderá nos questionar: por que não salvamos o seu dente?
 

"Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas, ele foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós." (Isaías 53, 4-6)


 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



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