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Publicado em: 21/04/2017 15h

Acredite: os implantes também falham!

Marco Bianchini adverte sobre as expectativas exageradas que o mercado cria sobre a Implantodontia.

Um dos maiores questionamentos que enfrentamos em nossos consultórios é a frequente pergunta dos pacientes: “Doutor, é para a vida toda?” A maioria dos nossos clientes ainda acredita que colocando implantes não surgirão mais problemas. Para piorar, existe ainda um pequeno grupo destes pacientes que se vangloria de ter extraído todos os dentes e colocado implantes, como se isto os fosse livrar de problemas futuros.

Apesar das taxas de sucesso serem consideradas relativamente altas, falhas de implantes ocorrem ao longo do tempo, seja por infecção peri-implantar, perda óssea progressiva, perda de osseointegração ou até mesmo fratura do implante. Com o objetivo de otimizar as taxas de sucesso de implantes osseointegrados a longo prazo, torna-se essencial um melhor entendimento da frequência e da origem dessas falhas, juntamente com a identificação de potenciais fatores de risco.

As taxas de sucesso descritas na literatura são consideradas altas, porém, ainda existem poucos estudos confiáveis mostrando resultados com cinco anos ou mais de acompanhamento. Para reabilitações implantossuportadas com acompanhamento de dez anos, taxas de sucesso superiores a 95% foram reportadas. Entretanto, tais resultados estão relacionados com a correta execução cirúrgica e protética, além de uma higienização eficaz por parte do paciente. Ou seja, não exprimem exatamente a rotina de um consultório comum, onde o controle desta eficácia é bem mais difícil.

Na verdade, é preciso entender que a Implantodontia – assim como qualquer outra área da Odontologia – é apenas mais uma modalidade terapêutica e que está sujeita a todas as variáveis que norteiam um tratamento odontológico. Desta forma, os perfis dos pacientes e dos profissionais estão diretamente relacionados ao sucesso ou fracasso que uma reabilitação pode ter. Atingir mais de 95% de sucesso com pacientes colaborativos, que respeitam as recomendações recebidas e com dentistas criteriosos, que obedecem as recomendações dos fabricantes, não é muito difícil. O complicado é manter estas taxas quando nem o paciente e nem o dentista seguem estas regras simples de boa conduta.

O mercado criou expectativas um pouco exageradas sobre a Implantodontia, tanto para os pacientes quanto para nós, dentistas. É preciso reverter estas expectativas de uma maneira responsável. Todos nós sabemos que os implantes são uma excelente maneira de repormos dentes perdidos, os pacientes também sabem disso. Contudo, não podemos de forma alguma fugir das falhas, que invariavelmente poderão ocorrer.

O IN 2017 está se aproximando e um dos temas que será muito discutido diz respeito às falhas. Sejam mecânicas, biológicas, por culpa do paciente ou do profissional, elas existem e devem ser encaradas. Enfrentá-las de uma maneira realista, e não prometer resultados impossíveis, irá facilitar a relação paciente/profissional, além de nos deixar mais seguros quando nos deparamos com um insucesso.
 

"Em Ti, Senhor, me refugio, jamais serei confundido. Pela tua justiça, defendei-me e salvai-me, prestai ouvidos e libertai-me. Sede para mim um refúgio seguro, a fortaleza da minha salvação, porque Tu és o meu rochedo." (Salmos 71,1-3)

 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



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