INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 28/04/2017 12h36

Entendendo a saucerização óssea

Marco Bianchini detalha o processo e a utilização das novas plataformas.

No início dos estudos sobre a perda óssea peri-implantar, acreditava-se muito que a saucerização estava relacionada com a biomecânica e o processo de distribuição das cargas oclusais. Entretanto, encontrou-se uma relação entre a presença/localização do microgap formado entre o intermediário protético, a plataforma do implante e a perda óssea peri-implantar. Isto levou à conclusão de que a localização do microgap invade o espaço biológico peri-implantar, iniciando uma resposta que causa a perda óssea, diretamente relacionada com a distância entre a crista óssea alveolar e o microgap.

Normalmente, a reabsorção na crista óssea ao redor do implante ocorre durante as quatro primeiras semanas, após o procedimento de reabertura. Apesar dos mecanismos celulares não terem sido ainda identificados, o microgap gera uma resposta inflamatória no local, com subsequente perda óssea marginal. O comprimento da interface, os micromovimentos entre o pilar protético e o implante, assim como as alterações vasculares peri-implantares, podem contribuir para a contaminação microbiana no espaço biológico peri-implantar.

Novos conceitos de plataformas protéticas foram aparecendo, baseados no entendimento do mecanismo de formação do espaço biológico versus saucerização óssea. Das opções disponíveis no início da era com implantes – hexágono externo e hexágono interno –, outras opções vêm sendo apresentadas com excelentes resultados pelas diferentes empresas que comercializam implantes. De diferentes maneiras, o conceito é o mesmo: aumentar a distância entre a interface implante/intermediário protético da crista óssea alveolar. Este efeito pode ser criado utilizando um pilar protético de diâmetro menor em relação ao tamanho da plataforma do implante, criando um espaço de aproximadamente 0,5 mm de largura que circunda o restante da plataforma, minimizando a suposta invasão do espaço biológico.

A maioria destas novas plataformas é conhecida como tipo cone-morse ou plataforma estendida (switching). Desta forma, a área onde existe o microgap fica mais distante da crista óssea alveolar, evitando a reabsorção óssea. Nesta linha de pensamento, os achados científicos têm encontrado resultados que sugerem uma menor perda de crista óssea ao redor do implante, quando utilizado o conceito cone-morse ou de plataforma switching, se comparadas ao conceito padrão de hexágono externo. As Figuras 1 a 4 explicam esta teoria.

Figuras 1 e 2 – Esquema e radiografia periapical mostrando um implante com plataforma tipo hexágono externo que foi colocado na altura da crista óssea. Após a colocação do intermediário, houve a formação da distância biológica (saucerização).

 

Figuras 3 e 4 – Implante plataforma switching (cone-morse) inserido na altura da crista ou um pouco abaixo dela. Repare que a distância entre a interface implante/intermediário já equivale à distância necessária para o espaço biológico. Portanto, não houve reabsorção óssea, e sim neoformação sobre a plataforma do implante.

 

Na verdade, o que ocorre com implantes é exatamente o que ocorre nos dentes naturais quando temos a necessidade de realizar o aumento de coroa clínica. A invasão das distâncias biológicas em um dente natural que necessita de uma coroa protética vai gerar um processo de destruição óssea disforme, realizado pelo organismo na tentativa de recuperar o espaço invadido por um preparo muito subgengival. A cirurgia de aumento de coroa clínica auxilia o organismo a recuperar estas distâncias de uma maneira uniforme.

O mesmo fenômeno irá acontecer nos implantes, se não respeitarmos as distâncias biológicas e posicionarmos uma fixação tipo hexágono externo muito intraóssea. A área do microgap (interface entre o intermediário protético e a plataforma do implante) deve respeitar estas distâncias, sob a pena de provocar uma extensa saucerização e contaminação bacteriana. Quando lançamos mão das plataformas estendidas (switching ou cone-morse), estes efeitos tendem a ser minimizados. Seguindo estes parâmetros, poderemos utilizar qualquer tipo de plataforma de implante, desde que obedeçamos aos princípios de posicionamento intraósseo de cada uma delas.

 

“Jesus lhes respondeu: a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo. Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.” (João 7, 16-18)
 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters