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Publicado em: 12/05/2017 10h17

A importância das exodontias estratégicas

Para Marco Bianchini, algumas extrações podem ser um excelente caminho para o sucesso dos tratamentos periodontais e implantológicos.

Apesar da manutenção dos dentes em boca ser uma das prioridades de qualquer tratamento odontológico, muitas vezes a exodontia também se configura como uma etapa importante. Isso acontece, principalmente, quando estamos avaliando dentes com prognósticos sombrios e vizinhos a dentes com prognósticos mais favoráveis. Em se tratando de implantes, estas extrações “preventivas” ainda podem ser consideradas uma importante terapia – embora bastante polêmicas – para a estabilização da saúde gengival e periodontal, para posterior colocação de implantes.

Quando realizamos o preparo inicial – também conhecido como a terapia não cirúrgica – de nossos pacientes periodontais que receberão os implantes, poderemos perfeitamente englobar a extração de dentes comprometidos durante a execução da raspagem e controle de biofilme. Estes elementos, na maioria das vezes, provocam o aumento da inflamação localizada na área, pois possuem bolsas profundas de difícil tratamento, mobilidade aumentada, acúmulo de biofilme e probabilidade baixa de se manterem em boca por muito tempo.

A exodontia de dentes que se encaixam neste perfil melhora a condição local da área, preservando dentes vizinhos que estejam em melhores condições. Isso ocorre pela diminuição do biofilme e autolimpeza, e cria condições favoráveis para a regeneração de um ou mais elementos que estejam próximos ao dente que está supostamente condenado. Além disso, facilita a colocação de implantes tardios nestas regiões, já que teremos ausência de contaminação bacteriana e uma possível preservação do osso alveolar remanescente. A Figura 1 ilustra esta situação envolvendo uma exodontia estratégica.

Figura 1 – Radiografia periapical do segmento 1. Observar a perda óssea acentuada dos elementos14 e 16 com prognóstico sombrio. A extração destes elementos durante a terapia não cirúrgica vai melhorar a capacidade de regeneração do elemento 15, que se encontra com maior suporte ósseo. Além disso, deixa as áreas do 14 e 16 com menos contaminação e mais favoráveis à instalação de implantes tardios.

 

Figura 2 – Imagem clínica da arcada superior, onde se encontram vários elementos com extração indicada. A realização das exodontias estratégicas durante a terapia não cirúrgica vai favorecer a cicatrização da área, diminuindo o acúmulo de biofilme, promovendo uma autolimpeza e facilitando o planejamento posterior, não só das áreas edêntulas, que poderão receber implantes tardios, mas também dos dentes remanescentes que permanecerão em boca.

 

As exodontias estratégicas podem acontecer em qualquer região da boca, e qualquer dente pode ter sua extração indicada, desde que se enquadre no perfil mencionado anteriormente. Geralmente, extraímos dentes que estão realmente muito condenados. Contudo, a má posição dentária de alguns elementos – mesmo com o seu aparato periodontal ainda sadio – pode ser uma indicação de exodontia estratégica, desde que esta má posição não seja possível de ser corrigida ortodonticamente com um prognóstico favorável ao dente que será mantido.

Atualmente, a demanda por implantes imediatos tem sido muito grande. A maioria de nós, implantodontistas, prefere otimizar o tempo de trabalho realizando a extração e o implante em uma mesma seção. Não há nada de errado nesta conduta, desde que a contaminação da área e a pouca disponibilidade óssea não sejam empecilhos para o sucesso da técnica. Múltiplas extrações de pacientes periodontalmente comprometidos podem aumentar os riscos de insucessos devido à presença de patógenos periodontais de alta virulência.

Sendo assim, a opção por extrações estratégicas durante a realização de uma adequação do paciente, corrigindo os desequilíbrios periodontais pertinentes e oferecendo uma homeostasia bucal duradoura, também pode ser considerada um excelente caminho para o sucesso dos tratamentos periodontais e implantológicos.

 

“Mas, quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão das lavadeiras.” (Malaquias 3, 2)

 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



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