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Publicado em: 26/05/2017 13h47

Complicações com tampas e cicatrizadores

Marco Bianchini explica como solucionar o problema e recomenda acompanhamento pós-operatório.

Mesmo seguindo os princípios básicos que regem um planejamento cirúrgico-protético adequado, problemas inerentes à terapia com implantes podem ocorrer, tanto durante a cirurgia como no período pós-operatório. Um desses problemas são as desadaptações das tampas ou dos cicatrizadores na cabeça dos implantes – embora pareçam simples, ocorrem com frequência. Como consequência, podem gerar processos inflamatórios intensos aumentados por possíveis traumas de próteses provisórias (geralmente removíveis), promovendo perdas ósseas e levando à perda dos implantes.

Implantes do tipo hexágono externo – posicionados equivocadamente muito abaixo do nível ósseo – não permitem que o tapa-implante se adapte, já que ele bate no tecido ósseo adjacente antes de se assentar passivamente sobre o hexágono. Estas situações geralmente ocorrem quando a altura de cristas ósseas proximais é maior do que nas regiões vestibular e lingual/palatal. Vale lembrar que jamais se deve forçar a inserção da tampa, ela deve entrar sem resistência e adaptar-se totalmente à plataforma do implante. Caso contrário, é possível espanar as roscas internas do implante ou permitir que algum tecido mole se forme entre a tampa e o implante.

A solução para esse problema é uma pequena osteotomia nas regiões proximais ou em toda a extensão da crista óssea, antes da colocação do implante. Os implantes hexágono externo não devem ficar posicionados em um nível intraósseo, sob pena de uma saucerização intensa. O mau posicionamento destas tampas pode dificultar a cicatrização dos tecidos moles, gerando pequenos abscessos gengivais que poderão iniciar um processo de perda óssea primária. Mesmo que não haja o tecido ósseo bloqueando a perfeita adaptação das tampas dos implantes, erros inerentes ao operador também podem ocorrer no momento da instalação das tampas, não as levando à correta posição e gerando estes pequenos abscessos gengivais. As Figuras 1 e 2 demonstram uma situação desse porte.

Figuras 1 e 2 – Tampa desadaptada gerando um abscesso gengival peri-implantar. Na Figura 1, apesar de não haver osso sobre o hexágono, a tampa não ficou corretamente assentada sobre o hexágono. Observar os cones de guta-percha introduzidos nas fístulas, na Figura 1, e a fístula no tecido mole, na Figura 2.

 

Nos implantes tipo cone-morse, se seguirmos o correto protocolo de utilização, este risco de complicações com tampas seria eliminado teoricamente, uma vez que estas fixações devem ficar abaixo das cristas ósseas e suas tampas e cicatrizadores possuem uma adaptação interna, não envolvendo toda a plataforma dos implantes. Com isso, a tendência é de se evitar estes problemas descritos anteriormente.

Este posicionamento intraósseo dos implantes cone-morse, geralmente, resulta no recobrimento ósseo de toda a plataforma do implante, o que irá provocar dificuldades no momento da reabertura. Assim, muitos de nós (eu, inclusive) colocamos tampas mais altas ou até mesmo cicatrizadores que facilitariam a cirurgia de reabertura. Porém, esta opção leva os implantes cone-morse a se comportarem como hexágonos externos, no que diz respeito às tampas. Assim, se não tomarmos as mesmas precauções descritas para os hexágonos externos, teremos exatamente os mesmo riscos que descrevemos anteriormente. A Figura 3 demonstra uma situação deste porte:

Figura 3 – Implante cone-morse posicionado corretamente abaixo da crista óssea, e a adaptação de um cicatrizador ao invés da tampa baixa, para evitar o recobrimento total da plataforma do implante e dificuldades na cirurgia de reabertura. Casos como este devem ser monitorados periodicamente, para se evitar complicações nos tecidos moles.

 

O acompanhamento pós-operatório durante todo o período de osseointegração, onde são realizadas visitas periódicas de inspeção e ajustes das próteses provisórias, evita complicações com tampas e cicatrizadores. O segredo é não abandonar o paciente e mantê-lo próximo, para prevenir, diagnosticar e tratar todas as complicações.

 

 

“O Senhor firma os passos do homem e sustenta aquele que o caminho lhe agrada. Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o segura com a sua mão.“ (Salmos 37, 23-24)

 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



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