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Publicado em: 02/06/2017 09h24

O acompanhamento de pacientes doentes

Marco Bianchini mostra que a dedicação do dentista pode motivar o paciente ao longo do tratamento.

Colocar implantes e realizar grandes reabilitações orais com excelente padrão estético pode realmente transformar a vida de um paciente doente, desde que ele se mantenha saudável após a realização destes tratamentos. Manter-se saudável, falando em Odontologia, significa manter todos os tecidos bucais em equilíbrio, evitando que eles se degenerem, ocasionando perdas teciduais de difícil reparo. Assim, se colocamos implantes e próteses na boca de nossos pacientes sem que estes itens auxiliem na manutenção da saúde de sua boca, não estamos promovendo saúde. Estamos simplesmente repondo órgãos perdidos.

A melhor maneira de mantermos os nossos pacientes saudáveis é através de um programa sério de manutenção e suporte odontológico. A literatura já fala sobre isso há mais de um século. Infelizmente, poucos dentistas conseguem realizar este programa com êxito. É bem verdade que os pacientes têm uma boa parcela de culpa deste insucesso, pois não costumam ser muito fiéis a este tipo de abordagem. Mesmo assim, é de nossa responsabilidade convencê-los a adotar estes programas para evitar recorrências das doenças.

Independentemente de nossa especialidade, o modelo mais adequado a se seguir para estas manutenções periódicas ainda é o modelo periodontal, pois o biofilme continua sendo o maior vilão da boca. É bastante reconhecido na literatura que pacientes que possuem um bom controle de placa bacteriana (biofilme) têm menos problemas. Ou seja, ficam menos doentes.

Desta forma, a manutenção é uma extensão do tratamento que o paciente realizou. Ela se faz necessária, pois os fatores causais da maioria das doenças periodontais ou peri-implantares não apresentam cura definitiva. Essa terapia só é eficaz com a cooperação do paciente em controlar a sua placa bacteriana associada às visitas periódicas ao profissional. Os objetivos principais desta manutenção são: manter os resultados do tratamento já realizado, minimizar as recidivas e reforçar hábitos de higiene bucal pessoal, além de prevenir e reduzir a probabilidade de perdas dentárias que não estavam previstas no planejamento inicial.

Os intervalos para o acompanhamento de pacientes doentes – ou manutenção dos mesmos – variam muito na literatura. Essa variação pode ser de duas semanas a 18 meses, mas o padrão classicamente adotado é de visitas trimestrais ou quadrimestrais. Generalizando os casos, existe um consenso de que os intervalos devem ser determinados de acordo com as necessidades de cada paciente e sua capacidade de manter o padrão adequado de higiene bucal. Assim, pacientes mais sensíveis à doença periodontal ou peri-implantar necessitam de intervalos menores para reconsultas, enquanto pacientes menos sensíveis a estas doenças podem ter seus intervalos estendidos.

Os procedimentos realizados nestas reconsultas de manutenção são bastante simples, e um bom clínico geral pode perfeitamente realizá-los. Os pacientes passam por um novo exame clínico, semelhante ao inicial, onde normalmente é feita uma revisão da história médica. São checados itens como cáries, próteses, oclusão, mobilidade dentária, estado gengival e periodontal geral (sangramento, recessão, bolsas, invasão de furca), níveis de placa e cálculo, e outros sinais de doença.

Após o reexame, normalmente são executados procedimentos para renovar a motivação do paciente. Se necessária, uma nova raspagem é feita, seguida da aplicação flúor e profilaxia, sempre acompanhadas de reinstrução de higiene bucal – terapias bem simples, mas que podem fazer toda a diferença para manter-se um paciente saudável ou doente. Basta darmos a devida importância a estes atos que, certamente, conseguiremos motivar os nossos pacientes a respeitarem estes programas de manutenção. Assim, depende muito mais da nossa dedicação em acreditar na manutenção e acompanhamento de pacientes doentes do que na escolha destes em seguir ou não a estes programas.

 

“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração fervorosa feita por um justo tem muito poder.” (Tiago 5, 15-16)
 

 
   

Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



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