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Publicado em: 23/06/2017 14h53

Reavaliação: passo fundamental no controle da doença periodontal

Marco Bianchini mostra reavaliação de caso clínico e dá dicas para que as peri-implantites não assombrem os dentistas no futuro.

Quando estamos tratando um paciente com doença periodontal, devemos entender que ele entra em um grupo de risco ao tratamento com implantes. Nestes casos, devemos estabilizar a doença periodontal antes de partirmos para a colocação dos implantes. Geralmente, iniciamos por um controle do biofilme dos dentes remanescente, que se dá através da profilaxia e raspagem, também conhecida como terapia não cirúrgica. Após a conclusão desta terapia não cirúrgica, um procedimento denominado “reavaliação” deve ser executado. O objetivo desta reavaliação é confirmar que a terapia não cirúrgica está devidamente concluída e, conforme o seu resultado, novas decisões devem ser tomadas em relação aos próximos passos do tratamento definitivo. Neste caso, seria a colocação de implantes.

Muitos clínicos confundem a reavaliação com a manutenção (terapia de suporte). Entretanto, as duas etapas são bastante distintas. A reavaliação só poderá ser feita quando todas as etapas da terapia não cirúrgica estiverem concluídas, e se dá antes da colocação dos implantes. Já a manutenção é realizada durante as etapas da terapia não cirúrgica, principalmente quando estas são muito extensas e demandam um grande espaço de tempo. Assim, a reavaliação é o procedimento final feito após as sucessivas manutenções que porventura um paciente possa vir a necessitar para estabilizar o seu quadro de doença periodontal antes da colocação dos implantes.

A reavaliação deve acontecer por volta de quatro semanas depois de complementados todos os procedimentos da terapia não cirúrgica, principalmente a raspagem e o alisamento coronorradicular. Este tempo permite uma correta cicatrização dos tecidos moles periodontais, com a redução do quadro inflamatório, cura gengival e diminuição da quantidade de biofilme, que favorece os resultados posteriores com os implantes osseointegrados.

Na reavaliação, será constatado que a maioria dos sinais clínicos da inflamação sofreu uma redução bastante importante. As áreas de vermelhidão e edema tendem a desaparecer. Entretanto, se estes sinais não reduzirem tão drasticamente, reintervenções podem ser necessárias. A reavaliação serve justamente para isso: constatar a necessidade ou não de reintervenções (repetição da raspagem e controle de biofilme) ou de terapias periodontais adicionais, diferentes daquelas que foram realizadas durante a terapia não cirúrgica. O objetivo destas novas terapias é buscar a homeostasia (equilíbrio) periodontal que ainda não foi obtida. Sem este equilíbrio, a colocação dos implantes fica comprometida, pois o risco de insucessos aumenta.

Também na reavaliação, os tecidos periodontais devem ser cuidadosamente reexaminados para determinar a real necessidade de um tratamento posterior cirúrgico periodontal, como uma raspagem a campo aberto, por exemplo. Bolsas devem ser novamente sondadas para que se possa tomar a decisão correta por uma nova intervenção – que pode ser cirúrgica – e, principalmente, saber a correta hora de colocar os implantes. As Figuras 1 a 3 demonstram uma reavaliação de um caso.

Figuras 1 e 2 – Paciente com periodontite necessitando de implantes, porém, com muito biofilme e cálculo, além de provável atividade de doença periodontal. Esses fatores contraindicam a realização de implantes antes da estabilização do quadro periodontal.

 

Figura 3 – Reavaliação do caso após quatro semanas de realizada a terapia não cirúrgica. Observar a aparente normalidade dos tecidos moles periodontais com a provável estabilização da doença, tornando o paciente mais apto para a colocação dos implantes.

 

O mais importante na reavaliação é que a conferência de todos os parâmetros periodontais seja realizada corretamente, assim será possível evitar falhas em um provável planejamento definitivo com implantes. É necessário entender que, quando os parâmetros clínicos revelam uma condição de saúde periodontal, poderemos partir para a colocação dos implantes. Mas, não podemos esquecer que um paciente periodontal deve estar sempre sob manutenção constante, tenha ele implantes ou não, para evitar surtos da doença.

O mais difícil nos casos em que precisamos administrar a presença da doença periodontal nos pacientes é ter que adiar a cirurgia para a colocação dos implantes, até que o paciente esteja apto para a mesma. Muitas vezes, realizamos sucessivas reavaliações e o caso nunca está em equilíbrio periodontal. Geralmente, acabamos operando assim mesmo e assumindo os riscos. Alguns casos podem até dar certo. Mas, é bem provável que a perda de alguns implantes e futuras peri-implantites nos assombrarão nestes casos por muitos e muitos anos.
 

“Melhor é para mim a lei da tua boca do que milhares de ouro ou prata. As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para entender os teus mandamentos.” (Salmos 119, 72-73)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 



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