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Publicado em: 28/07/2017 11h03

Cuidados com a biossegurança na Implantodontia

Marco Bianchini lembra que medidas simples podem minimizar substancialmente a infecção cruzada na clínica odontológica.

Parece um assunto muito batido e que todos nós já achamos que sabemos tudo. Entretanto, quando os nossos pós-operatórios começam a não ser tão bonitos e as cicatrizações por segunda intenção são uma regra, e não uma exceção em nossas clínicas, é sinal de que alguma coisa não anda bem. Não estaria aí a explicação para alguns de nossos fracassos na Implantodontia? Sem falar em nós mesmos e em nossas equipes, que estão frequentemente adquirindo infecções respiratórias, corizas, gripes e resfriados. Como isso pode ser tão frequente? Seria uma mera coincidência?

A consciência de que nem tudo o que reluz pode estar desinfetado ou esterilizado surgiu nos últimos 20 anos, com o advento da Aids. Essa epidemia trouxe uma série de mudanças nos cuidados com a higiene e controle de infecção nos consultórios dentários, principalmente nas especialidades cirúrgicas. Além da proteção da equipe e dos pacientes, a observação rigorosa das normas de biossegurança melhorou substancialmente os resultados pós-operatórios, eliminando necroses e infecções indesejáveis, que comprometiam o resultado final de tratamentos cirúrgicos e provocavam uma recuperação extremamente dolorosa para os pacientes.

Direcionando a biossegurança para a Odontologia, pode-se conceituá-la como um conjunto de medidas que visa o controle de infecção na clínica odontológica e tem como princípios básicos a prevenção de doenças – "infecção cruzada" e a proteção biológica da equipe e dos pacientes. É indiscutível a necessidade de zelar pela própria saúde e, a cada momento, essa preocupação torna-se uma alternativa de preservação da vida, diante das inúmeras moléstias infecciosas em circulação no mundo.

A atividade do cirurgião-dentista expõe seus pacientes, sua equipe, ele próprio e seus familiares a um universo microbiano altamente agressivo. Apesar dos sérios riscos de contágio de doenças graves, grande parte dos profissionais ainda se mostra resistente à adoção de medidas de controle de infecção. A utilização de gorros, luvas, máscaras, aventais, torneiras com pedaleira e cuidados com o aerosol, entre outros itens, são requisitos básicos e indispensáveis à segurança da equipe odontológica e do paciente.

É fundamental que haja ciência do alto risco de contaminação a que estão expostos os profissionais da área odontológica. Além da Aids, não se pode fechar os olhos para as mais diversas formas de doenças infectocontagiosas, como tuberculose, herpes simples, sífilis, difteria, rubéola, sarampo e caxumba. Dentre estas, pode-se ainda destacar as hepatites viróticas, especialmente as dos tipos B e C.

Medidas simples podem minimizar substancialmente a infecção cruzada na clínica odontológica. O simples ato sistemático de lavar as mãos pode reduzir em até 80% os riscos de infecção cruzada. Outra medida eficiente, porém, desconhecida pela maioria dos profissionais, é a utilização do bochecho prévio aos atendimentos clínicos. Esse procedimento, quando à base de clorexidina, pode eliminar até 98% dos microrganismos dispersos no aerossol na primeira hora de atendimento.

Assim, devemos periodicamente checar se nossas medidas de biossegurança estão sendo adequadamente realizadas por nós e pela nossa equipe. Quem trabalha com cirurgia de implantes não pode deixar isso em segundo plano, devendo se autopoliciar para não quebrar as regras de biossegurança. Está comprovado que os resultados cicatriciais são muito melhores quando respeitamos estas regras. Além disso, o paciente atendido em adequadas condições de proteção biológica e conscientizado pelo profissional dos riscos de contaminação e infecção, jamais se submeterá a um atendimento diferente.

 

“E Jesus dizia: o que sai do homem contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba e a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.” (Marcos 7, 20-23)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 



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