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Publicado em: 08/09/2017 09h10

Extensão da prótese e o acúmulo de biofilme

Marco Bianchini destaca a importância da higienização e da autolimpeza na longevidade das próteses.

As doenças peri-implantares estão intimamente relacionadas com o acúmulo da placa bacteriana. A presença de bactérias patogênicas nas superfícies dos implantes pode desencadear um processo inflamatório e agredir os tecidos peri-implantares. Desta forma, é de suma importância a correta orientação quanto aos métodos de higiene oral e manutenção dos implantes. Entretanto, se temos próteses extensas, com desenhos que facilitem o acúmulo de biofilme, como iremos capacitar os nossos pacientes a fazer este controle?

Em 2015, publicamos um artigo na revista ImplantNews que abordava este assunto (ImplantNews 2015;12(2):219-24). Nesta pesquisa, constatamos que as próteses unitárias apresentaram os menores índices de acúmulo de placa, segundo o índice de placa modificado. Por outro lado, as reabilitações totais apresentaram os maiores índices de acúmulo abundante de placa bacteriana ao redor dos componentes protéticos (Figuras 1 e 2). De acordo com este estudo, pacientes que utilizam esse tipo de prótese possuem maior propensão ao desenvolvimento de doenças peri-implantares, em decorrência do acúmulo excessivo de detritos. Por outro lado, coroas unitárias apresentaram índices baixíssimos de acúmulo excessivo de placa, sendo consideradas uma segura e eficaz modalidade de tratamento, especialmente por sua facilidade de higienização.
 

Figura 1 – Condição peri-implantar após a remoção imediata de prótese tipo protocolo no arco inferior. Observar a intensa formação de biofilme e cálculo.

 

Figura 2 – Prótese protocolo removida. Observar a parte interna da reabilitação repleta de cálculo e biofilme.

 

Como falamos antes, um dos fatores responsáveis pelo maior acúmulo de placa nas reabilitações mais extensas sobre implantes é a dificuldade de higienização, relatada pelos pacientes com esse tipo de tratamento. Quanto maior a extensão da prótese, maior a possibilidade de ter a presença de gengiva artificial e de componentes angulados. Assim, é bastante comum que este tipo de reabilitação protética (principalmente os protocolos) possa ser considerado um indicador de risco para o aparecimento de peri-implantite. E foi exatamente isto que encontramos em outro estudo que publicamos em 2016, no Clinical Oral Implant research (Clin. Oral Impl. Res. 2016:1-7).

O mau posicionamento dos implantes também deve ser levado em consideração, podendo dificultar a correta higienização. Esta deve ser realizada inicialmente sob supervisão do profissional, para que o paciente possa ser treinado e corrigido. Na verdade, um erro acaba levando ao outro. Se posicionarmos mal os implantes, teremos dificuldades em individualizar as próteses. Desta forma, para solucionarmos problemas estéticos, acabamos por entregar engenhocas protéticas que disfarçam a estética, mas comprometem os tecidos peri-implantares.

É importante ressaltar que as próteses mais extensas, muitas vezes, são utilizadas por pessoas de idade avançada e com algum tipo de dificuldade motora, o que acaba por facilitar o acúmulo de placa bacteriana. O número excessivo de implantes também é considerado um indicador de risco para o maior acúmulo de biofilme. Evitar a presença de superfícies retentivas, por meio de uma comunicação entre o dentista e o protético durante a confecção de próteses implantossuportadas, é crucial para evitar regiões de fácil acúmulo de biofilme.

Apesar do alto grau de satisfação das próteses totais implantossuportadas, os pacientes devem ser alertados sobre a dificuldade de higienização e sobre a importância do controle de placa bacteriana. Muitas vezes, dependendo do perfil do paciente que irá receber este tipo de tratamento, as overdentures possuem uma indicação mais adequada, pois são mais fáceis de serem higienizadas. Da mesma forma, o seccionamento de próteses totais em pequenas próteses fixas ou em unitárias pode facilitar também a higienização e limpeza por parte dos pacientes, aumentando a longevidade de uso destes trabalhos.

 

“Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus. Pois está escrito: ‘Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes’. Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus, louca a sabedoria deste mundo?” (1 Coríntios 18-20)


 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 



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