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Publicado em: 15/09/2017 11h31

As próteses sobre implantes são confortáveis?

Marco Bianchini explica quais fatores devem ser levados em conta pelo dentista ao indicar o melhor tratamento.

O grande interesse da Implantodontia tem sido investigar o sucesso e fracasso do ponto de vista biológico, estético e dos fatores protéticos diretos, desconsiderando, por vezes, a percepção e avaliação da satisfação do paciente no tratamento. Variáveis na percepção da dor, distúrbios na fala, capacidade de mastigação e alteração do paladar são alguns dos aspectos comumente percebidos e amplamente relatados pelos pacientes, mas que recebem pouca importância por parte de nós, profissionais. Geralmente, quando os nossos pacientes se queixam desses itens, usamos a mesma frase: “com o tempo, o senhor vai se acostumar”.

Embora a literatura demonstre que as mudanças das próteses convencionais em próteses retidas sobre implantes geraram uma melhora significativa na qualidade de vida e saúde oral dos pacientes, ainda são escassas e pouco conclusivas as investigações sobre os impactos psicológicos, psicossociais, satisfatórios e funcionais após as reabilitações com próteses implantossuportadas. Desta forma, torna-se necessária uma maior compreensão dos impactos dos tratamentos com próteses implantossuportadas na vida dos pacientes. Não se trata apenas da estética, mas de todo um conjunto que engloba uma mudança radical na vida das pessoas desdentadas que passam a ter dentes fixos.

As avaliações de personalidade e a compreensão das necessidades do paciente têm tido grande relevância para prever a satisfação dos clientes após o término do tratamento. Assim, parece ser de grande importância para o profissional conhecer melhor seu paciente, a fim de prever os efeitos da terapia na qualidade de vida do mesmo e a melhor conduta durante a execução do tratamento. Ou seja, precisamos gastar mais tempo nas conversas prévias com os nossos clientes, para conhecê-los verdadeiramente e entendermos o que realmente eles estão procurando no tratamento com implantes. Afinal de contas, os pacientes são os melhores avaliadores das necessidades e expectativas que almejam com o tratamento.

Ao contrário do que muitos de nós pensamos, a literatura vem demonstrando que, apesar dos pacientes se sentirem plenamente satisfeitos com os resultados das próteses sobre implantes nos quesitos de estética e mastigação, muitos se mostram insatisfeitos nos aspectos relacionados com o conforto. A palavra conforto pode ter um viés bastante grande, mas geralmente está ligada com a dificuldade de higienização. A presença constante de restos alimentares na boca dos nossos pacientes reabilitados com implantes – que não são removidos facilmente pela autolimpeza e pelo próprio ato de mastigar e deglutir – dificultam o convívio social destas pessoas e fazem com que as mesmas se tornem insatisfeitas neste quesito.

A literatura vem demonstrando que os fatores que contribuem para a insatisfação dos pacientes quanto ao conforto são: dificuldade de higienização encontrada nas próteses totais sobre implantes; sobrextensão dos cantiléveres nas próteses parciais e totais; dificuldade no manuseio dos dispositivos de higiene; união de elementos nas próteses parciais; e motivação para consultas de acompanhamento e manutenção. Estes achados nos levam a crer que necessitamos ter um olhar mais amplo em nossos trabalhos protéticos sobre implantes, para que não sejamos surpreendidos com a decepção dos nossos clientes.

A Implantodontia tem se mostrado uma excelente – senão a melhor – alternativa para repor os dentes perdidos. Entretanto, existe uma série de variáveis e fatores que devem ser analisados para que possamos medir a real satisfação de nossos pacientes. De nada adianta culpar os pacientes por não estarem tão satisfeitos como nós achamos que deveriam estar ao final dos tratamentos. O que pode ser muito estético e funcional para nós pode não ser para os pacientes, que são os verdadeiros usuários. As condições psicológicas, psicossociais e de personalidade devem ser primordialmente avaliadas para entendermos o perfil de cada paciente. Assim, conseguiremos indicar corretamente a qual tipo de tratamento cada um deles se adaptará melhor.

 

“São apenas preceitos e ensinamentos humanos acerca de coisas que perecem pelo uso. Na verdade, estes preceitos têm até alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.” (Colossenses 2, 22-23)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 



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