INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 29/09/2017 09h08

Periodontite e peri-implantite: a resposta dos pacientes é igual?

Marco Bianchini destaca a importância do controle da formação de biofilme peri-implantar.

A formação do biofilme tem similaridades e diferenças na peri-implantite e na periodontite. Desta forma, a resposta dos pacientes frente ao desafio microbiano também tem suas particularidades. Embora em um primeiro momento, quando o biofilme está agindo por pouco tempo, as respostas do hospedeiro em dentes e implantes sejam comprovadamente semelhantes, esta condição será alterada quando a presença de biofilme persiste por longos períodos.

Parece ser um consenso entre os pesquisadores que a agressão bacteriana tende a ser mais destrutiva nos implantes do que nos dentes. Assim, quando temos um ambiente favorável à reabsorção óssea peri-implantar, a destruição óssea é mais intensa em implantes do que em dentes naturais. Este ambiente favorável se dá pela associação de vários fatores – implantes de má qualidade, cirurgias e próteses mal realizadas por profissionais sem preparo, pacientes com problemas sistêmicos, osso pobre etc. – que contribuem para o aparecimento de perdas ósseas ao redor dos implantes. Seja pela ação destes fatores ou pela virulência bacteriana, o comportamento do hospedeiro é diferente em dentes e implantes.

O comportamento do hospedeiro é diferente em dentes e implantes. (Imagem: Shutterstock)


Nos dentes naturais, temos na periodontite agressiva a resposta mais deficiente do hospedeiro. Neste tipo de doença periodontal, o hospedeiro não consegue reagir à agressão bacteriana com alta virulência. Mesmo com pouca quantidade de biofilme, mas com bactérias específicas de alta virulência, esses pacientes apresentam destruições periodontais intensas e precoces. Já nas periodontites crônicas, quando criamos um ambiente favorável, com a remoção do biofilme, a resposta do hospedeiro tende a ser reabilitadora e as perdas ósseas são controladas. Apesar da grande quantidade de biofilme, a virulência bacteriana não é tão grande e, a partir de um controle de biofilme, temos a regressão do processo.

Nas alterações peri-implantares, como mucosite e peri-implantite, o comportamento tende a ser um pouco diferente, quando a quantidade de biofilme parece ter uma maior influência, independentemente da especificidade do mesmo. Certamente, a falta de conhecimento sobre a epidemiologia das peri-implantites, assim como a ausência de uma classificação tão rica como a das doenças periodontais para poder diferenciar os supostos diferentes tipos de reabsorções peri-implantares, acaba dificultando o estabelecimento de um protocolo universal de tratamento. Assim, a única maneira que temos de controlar a doença é através da remoção do biofilme – daí a importância da higiene oral nos implantes.

Assim como nas periodontites, a resistência do hospedeiro tem um papel importante na progressão das peri-implantites. Embora a teoria de uma reação de corpo estranho desequilibrada ainda não tenha sido totalmente comprovada, parece haver certa tendência em aceitar que existem indivíduos mais suscetíveis do que outros à perda óssea peri-implantar. Desta forma, enquanto não descobrirmos totalmente quais os mecanismos que levam a essas diferenças de respostas dos pacientes frente à periodontite e peri-implantite, vamos ter que continuar controlando muito a formação de biofilme peri-implantar. E isto não se faz apenas com profilaxias e raspagens, mas principalmente pela colocação correta de implantes e próteses.

 

“Não deixe de falar as palavras deste livro da lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido. Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar.” (Josué 1, 8-9)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters