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Publicado em: 08/12/2017 14h40

Quanto um implante cone-morse deve ser mergulhado?

Marco Bianchini analisa a mudança de implantes tipo hexágono externo para implantes cone-morse.

A transição de usuários de implantes tipo hexágono externo para implantes cone-morse pode não ser assim tão fácil como imaginamos. A começar pelo simples fato de mudarmos a nossa sistemática de atendimento, utilizando novos produtos e novas técnicas, que fatalmente mudam a nossa rotina de atendimento e a nossa suposta linha de produção. Assim, temos uma tendência enorme de desistir e voltar a fazer aquilo que estávamos mais acostumados.

Em se tratando de implantes cone-morse, a metodologia de uso de fixações com esse tipo de plataforma afronta tudo aquilo que estávamos acostumados a fazer com os hexágonos externos. Para começar, não temos mais aquela sequência de brocas tradicionais. O número de brocas utilizadas é menor e, se o design do implante for verdadeiramente cônico, já o instalaremos após o uso de apenas duas brocas. Contudo, a mudança mais radical é aquela que diz respeito à posição intraóssea do implante.

Lá no passado, quando aprendemos a colocar os implantes de plataforma hexagonal, recebemos a informação de que, quanto maior o implante, melhor. E também que a plataforma do implante deveria estar sempre em uma posição supraóssea, para evitarmos a saucerização. Com os implantes cone-morse, a coisa não funciona bem assim, pois a maioria dos sistemas preconiza a inserção dessas fixações, pelo menos 1 mm abaixo da crista óssea. E é exatamente aí, nesse “pelo menos 1mm”, que reside um grande problema, que está começando a aparecer cada vez mais em nossos pacientes tratados com implantes cone-morse.

Na verdade, este “pelo menos 1 mm” significa dizer que devemos posicionar nossos implantes cone-morse mais do que 1mm abaixo da crista óssea. O ideal seriam 2 mm ou até mais, dependendo do caso, e 1 mm seria o limite dos limites. Quando inserimos implantes com esse tipo de plataforma ao nível da crista óssea, na verdade estaremos os transformando em implantes tipo hexágono externo, pois fatalmente teremos que usar componentes protéticos com pouca altura, o que acaba com o conceito cone-morse. O problema é que, como temos enraizado em nossas mentes que devemos sempre usar os implantes mais longos possíveis, acabamos preferindo colocar os implantes mais a um nível supraósseo, para que possamos usar tamanhos maiores. A figura 1 explica esse conceito.

Figura 1: implantes cone-morse colocados na região do 13 ao 11. Observar que foram utilizados implantes de aproximadamente 15 mm de comprimento, o que acabou fazendo com que os intermediários protéticos escolhidos fossem de 1,5 mm ou 0, 8 mm nos implantes 13 e 11. O ideal teria sido usar implantes com comprimentos menores, que possibilitassem o uso de componentes protéticos com cintas mais altas. O achatamento dos componentes protéticos reduz o espaço biológico e acaba gerando uma saucerização, semelhante ao que encontramos nos hexágonos externos.

 

Dessa forma, precisamos quebrar este paradigma do “quanto maior, melhor”. Em se tratando de implantes cone-morse, é preferível usar alturas menores de implantes, que possibilitem a sua colocação mais intraóssea. Quanto mais “mergulhado” no osso o implante cone-morse estiver, maior será a altura do intermediário protético. E, consequentemente, maior será o respeito às distâncias biológicas peri-implantares, melhorando o vedamento intraósseo do implante propriamente dito, e promovendo um selamento biológico muito semelhante ao que acontece com os dentes naturais. As figuras 2 e 3 ilustram essas situações.

 

Figura 2: implante cone-morse com 1 mm de posição intraóssea. Observar que essa posição já permitiu o uso de um componente protético mais alto, que irá promover um correto selamento peri-implantar, respeitando as distâncias biológicas peri-implantares.

 

Figura 3: implante cone-morse mergulhado a aproximadamente 3 mm dentro do osso. Observar que essa posição mais “intraóssea” é comprovada pelo uso de uma tampa mais alta (cerca de 2 mm de altura). Isso vai permitir o uso de um componente protético com cinta de 2,5 mm de altura ou mais, ressaltando ainda mais as vantagens de se utilizar os implantes tipo cone-morse.

 

A curva de aprendizado que todos nós passamos quando estamos mudando a rotina de nossos consultórios, através do uso de novas técnicas, necessita de muito empenho e aperfeiçoamento profissional. Não basta apenas comprar o kit e sair fazendo o suposto novo implante que adquirimos. É preciso entender a filosofia do novo produto e as razões pelas quais foram feitas as novas mudanças. Também é estritamente necessário que acreditemos nesse novo produto que iremos começar a usar. Caso contrário, é melhor continuar fazendo o tradicional, onde temos maior domínio. Se você acha um Jaguar bonito, mas não sabe pilotá-lo, é melhor continuar andando de Fusca!

 

“ E a semente que caiu em boa terra é semelhante aqueles que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança. Ninguém acende uma lampada para escondê-la sobre um vaso, ou colocá-la debaixo da cama; mas põe-na no candelabro, para que os que entram vejam a luz. Porque não há nada escondido que não venha ser revelado e não há nada oculto que não será descoberto pela luz.” (Lucas 8, 15-17)

 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 


 



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