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Publicado em: 1/19/2018 23h3

Consentimento informado: você utiliza em sua rotina?

O documento torna a relação profissional-paciente mais clara e facilita o entendimento das diversas etapas do tratamento.

Assim como qualquer tratamento médico-odontológico, a terapia com implantes envolve a assinatura de um documento, por parte do paciente e do profissional, que autorize a realização do tratamento nos moldes em que as duas partes acordaram. Um paciente só poderá consentir determinado tratamento se tiver sido totalmente informado sobre ele. Daí a importância da consulta inicial. Muito embora esse consentimento informado não evite processos judiciais contra o cirurgião-dentista, acaba tornando a relação profissional-paciente mais clara, facilitando, por isso, o entendimento das diversas etapas do tratamento.

O texto desse documento deve ser bastante objetivo e sucinto. Declarações imensas, abordando detalhes minuciosos, que visam proteger o profissional contra pendengas judiciais, não exercem nenhum tipo de proteção legal. Isso acontece porque, em uma discussão em juízo, o paciente, orientado pelo seu advogado, simplesmente alegará não ter lido adequadamente o consentimento informado ou ainda ter sido coagido a assinar. Além disso, textos enormes só dificultam o entendimento do paciente, levantando suspeitas pela grande quantidade de informações contidas. Contratos extensos, com as mais diversas especificações, tornam a relação entre o cirurgião-dentista e seu cliente extremamente burocrática.

Garanta que o texto desse documento seja bastante objetivo e sucinto. (Imagem: Shutterstock)


O maior problema dessas situações é que nós, dentistas, não fomos treinados para esse tipo de abordagem. Isso nos constrange profundamente e, geralmente, deixamos que a secretária ou quem cuida da administração cuide disso. Nós fomos treinados para dar explicações técnicas, e não explicações de cunho legal. Quando o assunto descamba para o campo das garantias e responsabilidades pelos insucessos, geralmente a conversa acaba ou toma um rumo diferente daquele que gostaríamos. Para evitar esses contratempos, o que a maioria de nós faz (e eu me incluo aqui) é não preencher nenhum papel, deixando tudo no “fio do bigode”.

O problema é que esse tipo de comportamento está errado e deve ser modificado. O Dr. Paulo Rosseti já abordou esse tema no INPN em 2014:

“Depois de uma avaliação, só podemos realizar qualquer procedimento quando os pacientes entenderem os riscos e benefícios, e assinarem o formulário de consentimento. Existem diversos modelos de formulários e, toda semana, ouvimos um caminhão de reclamações do tipo: “Ora, doutor, eu não esperava por isto” ou “Puxa, mas não era bem isto que o senhor tinha dito, não é?”. Haja paciência e aspirina. Por motivos óbvios, existe uma grande diferença entre o que eu acho que falo (apenas penso) e aquilo que o paciente escuta (e acha que entende).”


Dessa forma, se você, assim como eu, ainda não mudou os seus hábitos, está na hora de começar! A relação cirurgião-dentista/paciente, tradicionalmente, é uma relação paternalista, em que o profissional exerce poder sobre o paciente. A relação é, de certa forma, de submissão, cabendo ao paciente apenas se sujeitar às decisões técnicas, as quais dominamos plenamente, com explicações diversas que deixam os clientes emudecidos. E esse mutismo só desaparecerá na hora dos insucessos e dos processos judiciais.

 

E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra. Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calor ardente cairá sobre eles. Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes vivas das águas; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima. (Apocalipse 7, 14-17)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 



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