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Publicado em: 2/2/2018 55h9

A padronização dos implantes

Será que algum dia veremos a padronização de implantes no mundo todo? Marco Bianchini responde.

Sempre que um paciente meu vai morar no exterior – ou, pelo menos, passar um tempo fora – e me manda uma mensagem dizendo que quebrou um componente protético, e o dentista de lá quer saber as especificações do implante em questão, essa ideia de padronização me vem à cabeça. Fico pensando qual será o dia em que teremos uma padronização maior, tanto de implantes como de componentes protéticos, para facilitar as nossas vidas e, sobretudo, a dos pacientes.

Na última semana, um paciente meu, que fez alguns implantes comigo há 12 anos, me mandou uma mensagem com esse problema. Ele me relatou que perdeu o papel que eu lhe dei com todas as especificações dos implantes, como a marca comercial, as dimensões e o abutment. Com a tecnologia de hoje dos nossos meios de comunicação, esse problema foi resolvido facilmente. Enviei uma mensagem via WhatsApp para o cliente, com todas as informações que o dentista dele precisava sobre os implantes que eu havia colocado. Além disso, também enviei às lojas em que seria possível efetuar a compra na Europa.

O grande problema está no fato de muitas empresas abandonarem determinados tipos de implantes e componentes que um dia fabricaram. É como um modelo de automóvel que sai de linha. Simplesmente não há mais peças de reposição e o cliente sai prejudicado. Claro que na internet vamos achar quem fabrique uma cópia. Além disso, muitas empresas se comprometem a fabricar novamente uma peça antiga, geralmente a um custo alto, pois parar um torno numa linha de produção alta não é algo tão simples assim. Como, então, resolver isso?

O que geralmente acontece comigo é que quando eu recebo pacientes que moram no exterior ou viajam muito, acabo escolhendo implantes e componentes que já são universalizados e de fácil resolução por qualquer empresa. Também procuro usar marcas comerciais que tenham representação em diversos países, para facilitar. Mesmo assim, é sempre um incômodo quando isso acontece. Embora a maioria das empresas envie os componentes e implantes do Brasil para o exterior de uma maneira relativamente rápida, os pacientes ficam bastante desgostosos quando a espera extrapola alguns dias, especialmente se ficam com provisórios desconfortáveis ou até mesmo desdentados.

Acredito que a melhor solução – ou até a ideal – seria as empresas terem em seus estoques os mais variados tipos de implantes e componentes padronizados. Isso já ocorre com o nosso bom e velho hexágono externo, no qual as “formas” são geralmente as mesmas e as peças se adaptam relativamente bem, independentemente da marca. Nos implantes cone-morse, isso também vem acontecendo, pois uma empresa copia da outra e os componentes são, digamos, “compatíveis”. Contudo, ainda existem muitos implantes e componentes que são exclusivos de suas marcas e não se adaptam em cópias ou similares.

Talvez seja um pouco de ingenuidade da minha parte acreditar que as empresas poderão um dia fazer esse tipo de padronização, pois isso acaba, de certa forma, matando a concorrência. Afinal, o implante fabricado por uma empresa é sempre melhor que o da outra. Além disso, essa história de padronização me soa um pouco a um “comunismo”, deixando tudo igual para que todos tenham acesso, e o livre mercado que se exploda. Isso não deu certo em nenhum lugar do mundo e nunca vai dar, pois é a concorrência que move o mercado e que desperta a criatividade em todos nós.

Assim, não existe muito remédio para esse tipo de problema. O que nós, dentistas, temos mesmo que fazer é sermos extremamente organizados e anotar todos os detalhes dos implantes e próteses sobre implantes em nossos prontuários. Para complementar a precaução, tudo isso deve ser entregue aos pacientes, com aqueles selos que as empresas nos dão em cada peça que usamos. Fotografar os selos e arquivar junto às radiografias salvas no computador também pode ajudar. Dessa forma, nos precavemos de um problema bastante corriqueiro em nossos consultórios.

 

A saber: se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. (Romanos 10, 9-11)

            

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br



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