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Publicado em: 2/23/2018 23h5

Nova abordagem para os incisivos superiores

Marco Bianchini reforça que a região anterior superior é uma das áreas mais difíceis para a solução de ausências dentárias com implantes.

A maioria dos pacientes tem preferência por individualizar os elementos, realizando próteses unitárias na região anterior superior. Entretanto, em muitas situações, a realização de quatro implantes nessa área fica inviável devido à indisponibilidade de tecidos. Além disso, perdas dentárias de longo tempo acarretam migrações dentárias, que reduzem ou alargam os espaços protéticos. Essas situações frequentemente exigem um tratamento ortodôntico prévio à colocação dos implantes, para que estes sejam colocados em posições proteticamente favoráveis, priorizando a estética, que é fundamental nessa região.

Entretanto, mesmo após a ortodontia, poderão existir situações que somente serão resolvidas através de próteses fixas sobre implantes. O tamanho do espaço protético remanescente dessa área deverá ser cuidadosamente analisado pelo profissional, para uma adequada seleção do número de implantes a serem utilizados. O espaço ideal para a reconstrução pode variar conforme o tipo de plataforma que estamos utilizando. Se quisermos individualizar os elementos, e tomarmos por base as tradicionais plataformas tipo hexágono externo, teremos que ter um espaço de 28 mm (7 mm para cada elemento).

O que ocorre é que, hoje em dia, utilizar implantes tipo hexágono externo com plataforma 4.1 nessas regiões tem sido bastante criticado. Dependendo do tamanho dos dentes do paciente em questão, plataformas com dimensões menores que essas deverão ser utilizadas, e as conexões tipo plataforma switching ou cone-morse têm preferência, objetivando a manutenção dos espaços para as papilas interdentais e a preservação da estética. A posição das ameias deverá ser preservada e, para tanto, deve-se evitar a colocação de um demasiado número de implantes em espaços reduzidos, preferindo, nessas situações, menos pilares e uma prótese fixa sobre estes.

Até aqui, tudo bem. O raciocínio é bastante direto: se tivermos dúvidas, não colocamos quatro implantes, reduzindo esse número para dois ou três, e realizamos uma fixa. Problema resolvido? Nem tanto. Como falamos antes, a maioria dos nossos pacientes nos procura para ter dentes individualizados nessas regiões. Eles não querem trocar uma prótese fixa sobre dentes por uma fixa sobre implantes, mesmo que essa nova fixa seja um pouco menor do que aquela que ele já utilizava.

Felizmente, os implantes cone-morse vieram para solucionar muitos desses casos. Uma vez que os componentes protéticos dos implantes cone-morse têm as suas dimensões reduzidas e são menores do que a plataforma do implante, a distância entre os implantes pode ser menor. Além disso, a própria dimensão dos implantes cone-morse já é menor do que os hexágonos externos tradicionais. Assim, aquele espaço de 28 mm (7 mm para cada elemento) pode ser um pouco reduzido para individualizarmos as coroas. As Figuras 1 a 4 ilustram essas situações.
 

Figura 1 – radiografia panorâmica mostrando um paciente com doença periodontal, com alguns dentes condenados e outros mal posicionados. Foi planejada a extração dos dentes condenados e um tratamento ortodôntico para otimizar a estética e a preservação dental.

 

Figura 2 – radiografia panorâmica seis anos após o término da ortodontia e manutenção periodontal. Observar que os incisivos superiores estão com extração indicada.  

 

Figura 3 – radiografia panorâmica mostrando quatro implantes tipo cone-morse na região anterior superior em carga imediata. Observar as boas dimensões mesiodistais da região anterior superior e a boa distância entre os implantes.

 

Figura 4 – radiografias periapicais da região anterior superior. Observar que os implantes foram “mergulhados” no osso, possibilitando a utilização de componentes protéticos com cintas mais estreitas e mais profundas, o que otimiza a resolução estético-funcional desses casos.

 

A região anterior superior é uma das áreas mais difíceis para a solução de ausências dentárias com implantes, devido à extrema exigência estética dessa região. Os critérios de análise da quantidade de tecido ceratinizado, da disponibilidade óssea e da relação com os dentes adjacentes e antagonistas devem ser extremamente rigorosos, sob pena de se obter resultados desfavoráveis. O uso de implantes cone-morse vem otimizando os resultados dessas áreas. É imprescindível mudarmos a abordagem dessa região bucal, caso contrário será melhor continuarmos a fazer próteses fixas convencionais sobre dentes, desgastando os caninos como pilares, principalmente se esse tipo de prótese fixa já existe na boca do cliente há muitos anos. 

 

Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez, alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. (Romanos 5, 6-8)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br



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