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Publicado em: 3/9/2018 33h3

Doenças gengivais modificadas por fatores sistêmicos

Marco Bianchini alerta que gengivites e mucosites peri-implantares podem estar diretamente ligadas à condição sistêmica de nossos pacientes.

As doenças gengivais associadas somente ao biofilme dental apresentam sinais e sintomas resultantes exclusivamente da resposta do hospedeiro ao acúmulo de biofilme dental junto à margem gengival. Não há nenhum fator modificando a resposta do organismo à microbiota local. Ou seja, não existe nenhuma doença de ordem geral influenciando a resposta gengival.

Essas doenças gengivais, induzidas por biofilme dental, apresentam sinais clínicos resultantes da interação entre a microbiota presente no biofilme dental e o sistema de defesa do hospedeiro. Entretanto, certos fatores sistêmicos são capazes de exacerbar a resposta inflamatória e, por conseguinte, podem acentuar os sinais e sintomas clínicos da gengivite.

Alterações endócrinas associadas à puberdade, ao ciclo menstrual (fase da ovulação), à gravidez e ao diabete melito parecem alterar as funções celulares e imunológicas do hospedeiro. Dessa forma, provocam uma resposta inflamatória aumentada e incompatível com a quantidade de biofilme acumulado.

Uma lesão característica, que pode acometer gestantes, é o Granuloma Piogênico. Ele se apresenta clinicamente como uma protuberância indolor, de base séssil ou pediculada, localizada na margem gengival ou, mais comumente, na papila interdental. É mais frequente na maxila e pode ocorrer em qualquer mês da gestação. As figuras 1 e 2 ilustram esse tipo de lesão.

Figuras 1 e 2 – granuloma piogênico em paciente gestante.

 

Figuras 3 e 4 – granuloma removido e o acompanhamento clínico após 21 dias.


De forma semelhante, as discrasias sanguíneas, como a leucemia, podem provocar uma alteração na contagem de glóbulos brancos que atuam no periodonto e também alterar a função imunológica. Trata-se de uma desordem hematológica maligna, caracterizada por uma proliferação e desenvolvimento anormal de leucócitos e precursores de leucócitos no sangue e medula óssea.

Assim, observamos que as alterações sistêmicas podem modificar o comportamento gengival. Essas alterações podem se dar tanto em dentes quanto em implantes. Dessa forma, muitas gengivites e mucosites peri-implantares podem estar diretamente ligadas à condição sistêmica de nossos pacientes. De nada adianta avaliarmos essas condições apenas na anamnese da consulta inicial. Esse monitoramento deve ser constante, para que possamos diagnosticar corretamente as alterações periodontais e peri-implantares.

 

“Precisais deixar a vossa antiga maneira de viver e despojar-vos do homem velho, que vai se corrompendo ao sabor das paixões enganadoras. Por outro lado, precisais renovar-vos, pela transformação espiritual da vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade.” (Efésios, 4, 22-24)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br



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