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Publicado em: 3/23/2018 32h1

Você usaria um implante que caiu no chão?

Marco Bianchini debate situação hipotética que surgiu em conversa com colegas implantodontistas.

Conversas de corredor de universidade são sempre as melhores. Tirando as costumeiras fofocas e intrigas, que fazem parte de qualquer ambiente universitário, o que realmente é salutar são os debates e discussões sobre o planejamento dos casos. Na nossa disciplina de Implantodontia não é diferente. Muitas vezes, eu e os professores Ricardo Magini, Cesar Benfatti e Antonio Carlos Cardoso nos “confrontamos” em discussões calorosas sobre qual seria o melhor planejamento para determinados casos.  Eventualmente concordamos, mas quase sempre discordamos. E o melhor de tudo é que todos nós aprendemos apenas com a atitude de escutar a opinião dos outros.

Nesta semana, em um desses debates, o professor Antonio Carlos Cardoso levantou uma discussão no mínimo polêmica, o que lhe é bem peculiar. Dizia ele: “suponha que você está fazendo uma cirurgia de implantes e só tem aquele único implante no seu estoque. De repente, o implante, involuntariamente, cai no chão. O que você faria? Você lavaria o implante fortemente no soro fisiológico e o utilizaria ou você cancelaria a cirurgia?”.

É óbvio que nós poderíamos encontrar várias outras saídas para essa situação. Poderíamos, por exemplo, ligar para o fornecedor e solicitar outro implante, ligar para um colega e pedir um implante emprestado, entre tantas soluções. Mas a ideia da questão não é essa. O ponto central é imaginar que você só tem essas duas opções: ou lava o implante e arrisca colocá-lo ou aborta a cirurgia. O que você faria?

Existe uma série de aspectos relativos à superfície e infecções bacterianas. (Imagem: Shutterstock)


Quem parte para uma cirurgia de implantes jamais deve ter apenas um único implante disponível. Assim como também não pode ter apenas um único contra-ângulo, um único motor, um único fio de sutura e uma única membrana. Cirurgia não é como a prótese, em que nós recolocamos o provisório e agendamos uma nova seção quando as coisas não dão certo. Na cirurgia, você tem que terminar. Não há suturas provisórias ou manutenções de retalhos abertos. Se você não conseguir resolver, terá que fazer uma nova cirurgia, aumentando a morbidade do caso.

Voltando ao implante que caiu no chão. Sinceramente, mesmo depois de lavá-lo e esfregá-lo no soro, nenhum profissional jamais deveria colocá-lo no paciente. Existem protocolos de biosegurança bem rígidos com relação a isso. Felizmente, nunca me deparei com essa situação, até porque sempre trabalho com vários implantes de reserva. Contudo, a polêmica vale a pena para que possamos nos prevenir e nos proteger de situações como essa.

 

“Deus faz o que quer; quando ele decide fazer alguma coisa, ninguém pode impedir. Ele levará até o fim o que planejou fazer comigo e também realizará todos os seus outros planos. Por isso, eu perco a coragem na presença dele e, quando penso nisso, fico apavorado.” (Jó 23, 14-15).
 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br



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