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Publicado em: 30/03/2018 09h35

O valor dos jovens dentistas

Marco Bianchini alerta que o sucesso das gerações futuras depende da postura de quem os ensina, como os professores.

Faz pouco mais de um mês que eu completei 50 anos de idade. Acreditem: nunca esperei ter essa idade. Explicando melhor, nunca me imaginei com 50 anos. Acho que isso faz parte da obra de Deus em nossas vidas. Nós vamos envelhecendo, o corpo vai envelhecendo, mas lá dentro de nossa alma nós não achamos que temos a idade que temos. O espelho nos diz que temos, mas o nosso eu interior ainda se comporta com pensamentos de um jovem moço ou adolescente. Dentro desse contexto, encontrei uma publicação interessante de Luiz Fernando Conde Sangenis, professor de educação da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

“O Brasil nunca foi tão jovem. Até a segunda década deste século, o grupo etário juvenil se manterá em torno de 50 milhões. A partir de 2020, o número de jovens sofrerá rápido declínio, e consequente aumento de idosos. Significa dizer que os jovens terão responsabilidades aumentadas, e arcarão com a manutenção de brasileiros de vida cada vez mais longeva. Esse cenário, por si só, deveria movimentar a sociedade para oferecimento de melhor educação à juventude: mantê-la mais tempo em escolas de reconhecida qualidade e prepará-la aos desafios da vida adulta. É urgente a formação de seres humanos e cidadãos responsáveis, capazes de construir, pelo trabalho e pela participação cidadã, uma sociedade mais justa e igualitária.”

Quem é professor, como eu, tem esse contato com os jovens diariamente. Nós, professores de carreira, vamos envelhecendo, mas os alunos têm sempre a mesma idade, pois as turmas vão se renovando. Assim, a cabeça de quem ensina tem que se adaptar sempre aos novos tempos, sem perder a direção. Um docente que se preze não deve abandonar os seus princípios por marolas ou ventos que ora vão para um lado, ora vão para o outro. Valores e princípios não mudam, a não ser que você se corrompa ou se venda.  Dessa forma, o docente tem que enfrentar desafios diários e não se entregar! O sucesso das gerações futuras depende dessa postura de quem os ensina, e aqui se encaixam não só os professores, mas também os pais, tios, padrinhos e todos que, de alguma forma, exercem influência na juventude. Temos que ser cinquentões e jovens ao mesmo tempo!

A Odontologia vem descarregando no mercado de trabalho, a cada ano que passa, milhares de novos profissionais, ávidos por começar a produzir e ser remunerados. É nosso dever prepará-los para a realidade que os espera e encorajá-los a enfrentar os desafios. Contudo, essa não é uma tarefa fácil. Como explicar a um jovem dentista que ele deve trabalhar arduamente para pagar também a aposentadoria de alguém que está com 50 anos de idade e vai viver mais uns 30 sem trabalhar, à custa do trabalho dos mais jovens? Como ensinar a ética em um País onde poucos privilegiados não querem, por nada neste mundo, ceder os seus “direitos adquiridos”. Difícil incentivar um dentista a empreender, abrir o seu próprio consultório e gerar emprego e renda, sabendo que as leis trabalhistas, os impostos e sindicatos irão abocanhar boa parte da sua produtividade.

Na semana passada, tivemos a maior expressão de inversão de valores que uma nação pode ter. O comportamento do Supremo Tribunal Federal, composto por indivíduos mais velhos, que deveriam ser o supremo exemplo de um país, criou uma grande desilusão na juventude nacional. Com acordos feitos na hora do lanche – e interpretações esdrúxulas da Constituição – os ministros confundiram a população e esconderam a verdade, em um jogo de interesses e cartas marcadas, poucas vezes visto neste País. Os jovens que estão atentos a tudo isso concluirão que o crime compensa no Brasil. Vale a pena arriscar! Vale a pena sonegar, roubar, enganar, ludibriar e defender sempre o interesse próprio ou de minorias privilegiadas, pois a punição sempre será branda e sempre haverá alguém para libertar quem pratica crimes do colarinho branco. 

No ensino da Implantodontia, a pergunta que mais escuto dos jovens é quanto eu cobro por um implante. Seja na graduação, na pós-graduação ou em congressos, essa pergunta sempre ocorre. Eu não me espanto com isso. Acho natural, uma vez que todo e qualquer profissional trabalha para ser remunerado. No entanto, acho que a pergunta deveria ser: o que você faz para cobrar esse valor dos seus pacientes? Somos um país de muitos direitos e poucos deveres. O direito de cobrar bem por um implante fatalmente está ligado ao dever de executar muito bem o procedimento. Um ato não vive sem o outro. O jovem precisa entender isso. Primeiro você tem os seus deveres, para depois vir com os seus direitos!

 

“ Em resposta, Jesus declarou: Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo. Perguntou Nicodemos: Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer! Respondeu Jesus: Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito.” João 3, 3-6.

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br



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